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	<title>Crescendo Espiritualmente</title>
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	<description>Este site está voltado tanto para o crescimento espiritual como material em diversas áreas do conhecimento</description>
	<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 21:47:14 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
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		<title>A importância da Matemática em Nossas Vidas</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 21:47:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

		<category><![CDATA[A importância da Matemática em nossas Vidas]]></category>

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		<description><![CDATA[Professor&#8230; , onde eu vou usar essa Matemática ?

Sem matemática&#8230; ninguém anda
Os meios de transportes estão, a cada dia, mais presentes em nossas vidas.
Sua importância em nosso dia-a-dia trouxe a necessidade de novas tecnologias que os tornem mais seguros, eficientes e menos poluentes.
Só com a ajuda da Matemática foi possível construir o primeiro motor, o primeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><strong>Professor&#8230; , onde eu vou usar essa Matemática ?</strong></p>
<p align="center"><strong></strong></p>
<p align="center"><strong>Sem matemática&#8230; ninguém anda</strong></p>
<p>Os meios de transportes estão, a cada dia, mais presentes em nossas vidas.<br />
Sua importância em nosso dia-a-dia trouxe a necessidade de novas tecnologias que os tornem mais seguros, eficientes e menos poluentes.</p>
<p>Só com a ajuda da Matemática foi possível construir o primeiro motor, o primeiro trem, o primeiro avião.</p>
<p>Organizar os dados sobre o fluxo de veículos nos milhares de cruzamentos das grandes cidades, determinar o melhor tempo para abrir e fechar cada sinal de trânsito, os minutos entre a chegada e a partida de cada vagão do metrô, são tarefas difíceis demais que não poderiam ser feitas sem a Matemática e os computadores.<br />
Tudo isto ajuda a reduzir bastante o tempo perdido em nossa locomoção.</p>
<p>E vamos em frente que o sinal abriu.</p>
<p> </p>
<p align="center"><strong>Sem matemática&#8230; ficamos no escuro</strong></p>
<p>Em casa, nas escolas, no trabalho, todos precisamos de energia elétrica.<br />
E para que ela chegue até nós é feito um levantamento de toda a energia ofertada no país, dos custos para transmiti-la e distribuí-la e do nível de necessidade dos consumidores.</p>
<p>É a Matemática que permite realizar todos esses cálculos e selecionar as propostas de produção das várias usinas e deste modo, se obter a maior segurança no abastecimento e os menores preços para os usuários.</p>
<p> </p>
<p align="center"><strong> Sem matemática&#8230; ninguém vive</strong></p>
<p>Alguém pode até argumentar que a Vida - e posteriormente o Homem - surgiu muito antes de se conceber o que era Matemática.<br />
Entretanto, com o aparecimento da Medicina e Ciências correlatas, como a Farmacologia, a Bioquímica e o Sanitarismo, isso muda de figura.<br />
O estudo do comportamento das endemias e da evolução de inúmeras doenças, como as degenerativas, é dependente da Matemática.</p>
<p>Ela se encontra nos novos medicamentos, nas técnicas de diagnóstico por imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, e nos equipamentos dos modernos centros cirúrgicos, que permitem que um médico realize uma cirurgia à distância.<br />
A Matemática está presente até no cálculo do grau de seus óculos - se é que você precisa deles.</p>
<p>Na próxima consulta a seu oftalmologista, peça que ele troque o painel de letrinhas por números; tem mais a ver.</p>
<p> </p>
<p align="center"><strong>Sem matemática&#8230; não saímos do lugar</strong></p>
<p>O Homem teve de levar os seus olhos até as profundezas do espaço para obter estas imagens.<br />
Não teria como fazê-lo sem a Matemática.<br />
Também escondidas na beleza destas fotos há várias outras tecnologias, todas elas dependentes e ligadas à Matemática como, por exemplo, processamento de imagens, comunicação de dados e correção de erros e códigos.</p>
<p>A Matemática contém seus mistérios, mas também ajuda a desvendar outros.</p>
<p> </p>
<p align="center"><strong>Sem matemática&#8230; ninguém come</strong></p>
<p>Pode parecer estranho temperar comida com números mas, ao contrário do que se possa pensar, a Matemática está presente no dia-a-dia do Campo.<br />
Ela ajuda a melhorar o aproveitamento da terra e das sementes, otimizar a irrigação, adaptar a topografia dos terrenos e a estudar o clima.</p>
<p>Além disso, a agricultura moderna também depende muito de tecnologia.<br />
Em equipamentos como colheitadeiras, em silos e moinhos, em fertilizantes e remédios, e até no desenvolvimento de novas espécies, adaptadas às diferentes condições climáticas, estão presentes tecnologias que não seriam possíveis sem a Matemática.</p>
<p>Pense nisso na próxima vez que estiver jantando.</p>
<p> </p>
<p align="center"><strong>Sem matemática&#8230; ninguém fala</strong></p>
<p>O surgimento da internet e dos novos meios de telecomunicações constitui, sem dúvida, a grande revolução tecnológica da virada do milênio e vai mudar a vida de todos nós.<br />
Através dos computadores, todo planeta até agora permanentemente ligado e trocando informações. Por trás dessa revolução, a Matemática teve, e continua tendo, um papel crucial.</p>
<p>Matemáticos foram fundamentais para a invenção e para o desenvolvimento do computador e do telefone celular.</p>
<p>A instalação das redes de comunicação e a administração do enorme fluxo de informações que elas transportam envolvem problemas matemáticos da maior relevância. Por isso, matemáticos estão ajudando a desenvolver o software que faz a internet e a telefonia celular funcionarem.</p>
<p>                                                                                  <strong>E aí, caiu a ficha ?!</strong></p>
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</p>
	<br /><br />
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		</item>
		<item>
		<title>O triângulo de Pascal é de Pascal?</title>
		<link>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/o-triangulo-de-pascal-e-de-pascal/</link>
		<comments>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/o-triangulo-de-pascal-e-de-pascal/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 06:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rezende.blogcatolico.com.br/?p=140</guid>
		<description><![CDATA[ 
 
Não ! Isso é uma falácia clássica 
 
 




Qualquer pessoa que tenha um pouco de leitura e bom senso deve no mínimo estar suspeitando que o triângulo aritmético não seja uma descoberta ou invenção de Pascal. Por exemplo: a denominação desse triângulo varia muito ao longo do mundo. Com efeito, se bem que os franceses o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--> </p>
<p align="center"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><font size="+2" color="#ff0000"><strong>Não ! Isso é uma falácia clássica</strong> </font></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd">
<blockquote><p>Qualquer pessoa que tenha um pouco de leitura e bom senso deve no mínimo estar suspeitando que o triângulo aritmético não seja uma descoberta ou invenção de Pascal. Por exemplo: a denominação desse triângulo varia muito ao longo do mundo. Com efeito, se bem que os franceses o chamem de triângulo de Pascal, os chineses o chamam de triângulo de Yang Hui, os italianos o chamam de <strong>triângulo de Tartaglia</strong> e encontramos outras denominações como triângulo de Tartaglia-Pascal ou simplesmente triângulo aritmético ou triângulo combinatório.</p>
<p>Pelo que temos defendido neste site, essa diversidade de denominaçes não deve ser surpreendente. Com efeito, temos mostrado que para idéias muito simples ou muito úteis - como é o caso da do triângulo aritmético - simplesmente não tem nenhum sentido perguntar &#8220;quem foi o primeiro?&#8221;. Elas foram redescobertas e introduzidas várias vezes e em todos os locais onde se estudou ou estuda matemática.<br />
Vejamos a comprovação desta tése no caso do triângulo aritmético.</p></blockquote>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<blockquote>
<p align="left"><a href="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2.html#uno"><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/voltapag.gif" border="0" alt="volta" /></a></p>
</blockquote>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<p align="center"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><font size="+2" color="#ff0000"><strong>Mas, o que é o triângulo aritmético??</strong> </font></span></p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3"><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2b1.gif" border="1" alt="" align="left" /></p>
<blockquote><p>é um quadro de forma triangular onde são dispostos, sucessivamente e de cima para baixo, os <strong>coeficientes</strong> das expansões de:</p>
<blockquote>
<blockquote><p>(a+b)<sup>0</sup><br />
(a+b)<sup>1</sup><br />
(a+b)<sup>2</sup><br />
(a+b)<sup>3</sup><br />
(a+b)<sup>4</sup><br />
etc, etc</p></blockquote>
</blockquote>
<p>o resultado é um quadro triangular, que se prolonga indefinidamente para baixo e cujas primeiras linhas sao mostradas na figura ao lado.</p></blockquote>
<p>Como é fácil se perceber, as REGRAS de construção do quadro são:</p>
<blockquote>
<ul>
<li>lados formados só de 1</li>
<li>os elementos interiores do quadro são obtidos somando os dois elementos imediatamente acima deles<br />
( por exemplo, na quinta linha: 4 = 1+3, 6 = 3+3, 4 = 3+1 )</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Embora não seja este o objetivo desta matéria, observemos que são várias as UTILIDADES do triângulo aritmético:</p>
<blockquote>
<ul>
<li>a principal utilidade, obviamente, é ser um dispositivo mecânico para <strong>a fácil geração dos coeficientes de expansôes tipo (a+b)<sup> n</sup></strong>, com n inteiro positivo.<br />
EXEMPLO:<br />
seja expandir (a+b)<sup> 5</sup><br />
Solução:<br />
os coeficientes estão na sexta linha do triângulo ( a que vem DEPOIS da última linha escrita acima: 1 4 6 4 1 ).<br />
Usando as regras acima, obtemos como sexta linha:<br />
1 5 10 10 5 1, de modo que</p>
<p align="center">(a+b)<sup>5</sup> = a<sup>5</sup> + 5 a<sup>4</sup>b + 10 a<sup>3</sup>b<sup>2</sup> + 10 a<sup>2</sup>b<sup>3</sup> + 5 ab<sup>4</sup> + b<sup>5</sup></p>
</li>
<li><strong>Extração, possivelmente aproximada, de raízes quadradas, cúbicas, quárticas e etc.</strong> Esses procedimentos usavam a expansão do binômio de várias maneiras, uma das mais populares - conhecida há quase 2 000 anos antes de Pascal - usava:
<p align="center">( a + b )<sup> 2</sup> = a<sup>2 </sup>+ 2 a b + b<sup>2 </sup>= a<sup>2 </sup>+ b ( 2 a + b)</p>
<p align="center">( a + b )<sup>3 </sup>= a<sup>3 </sup>+ 3 a<sup>2 </sup>b + 3 a b<sup>2 </sup>+ b<sup>3 </sup>= a<sup>3 </sup>+ b ( 3 a<sup>2 </sup>+ 3 a b + b<sup>2 </sup>)</p>
<p>Vejamos os detalhes, tomando o caso concreto do cálculo de raiz quadrada de N = 51:</p>
<p>o procedimento buscará escrever a tal raiz quadrada como a + b, de modo que</p>
<p align="center">N = ( a + b )<sup>2 </sup>= a<sup>2 </sup>+ b ( 2a + b )</p>
<p>A obtenção do valor de a é fácil: basta acharmos um valor a tal que a<sup>2 </sup>seja menor ou igual a N = 51; a seguir obtemos o valor de b como o limite da sequência de aproximações que parte de b<sub>0 </sub>= 0 e sucessivamente calcula b<sub>1 </sub>, b<sub>2 </sub>, etc geradas pela iteração:</p>
<p align="center"><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2b6.gif" border="1" alt="" /></p>
<p>No caso de N = 51, tomando a = 7, obtemos:</p>
<table border="1" cellspacing="1">
<tbody>
<tr>
<th align="center">   n   </th>
<th align="center">   b<sub>n </sub>  </th>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">0</td>
<td bgcolor="#ffffff">0</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">1</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.142 857 143</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">2</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 414 141</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">3</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 571</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">4</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 427</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">5</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 429</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">6</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 429</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">
<p>De modo que a raiz quadrada de 51 vale 7.141 428 429 &#8230;, com erro na nona casa decimal.<br />
No caso de cálculo manual ou ajudado por ábaco, podemos abreviar consideravelmente o trabalho se formos aumentando gradativamente a quantidade de casas com que vamos obtendo as aproximações b<sub> n</sub>. Por exemplo, quem não dispõe de calculadora eletrônica, acharia mais rápido refazer o cálculo da maneira mostrada abaixo, que acaba produzindo a mesma resposta:</p>
<table border="1" cellspacing="1">
<tbody>
<tr>
<th align="center">   n   </th>
<th align="center">   b<sub>n </sub>  </th>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">0</td>
<td bgcolor="#ffffff">0</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">1</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.1</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">2</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.14</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">3</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">4</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 4</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">5</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 42</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">6</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">7</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 4</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">8</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 42</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">9</td>
<td bgcolor="#ffffff">0.141 428 429</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">
<p>Um processo absolutamente semelhante se aplica às raízes cúbicas, quárticas, etc; sendo que o denominador das respectivas iterações pode ser mais comodamente achado se usarmos o triângulo aritmético.</li>
<li>Uma outra utilidade muito importante do triângulo aritmético é na descoberta de <strong>identidades</strong> envolvendo os coeficientes binomiais ( ou seja, os coeficientes das expansoes (a+b)<sup> n</sup> ):</li>
</ul>
</blockquote>
<p><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2b3.gif" border="1" alt="" align="left" /></p>
<blockquote>
<p>Vejamos um exemplo bem simples de tais identidades:<br />
observe que, no triângulo aritmético, se &#8220;descermos&#8221; ao longo de uma diagonal de direção \, a soma dos elementos &#8220;percorridos&#8221; na diagonal tem como valor o elemento, da linha imediatamente abaixo, ao qual chegamos ao &#8220;descer&#8221; do ponto de parada depois de mudar a direção de caminho.</p>
<p>Vejamos um exemplo concreto: na figura ao lado, o valor da soma 1 + 2 + 3 coincide com o valor do segundo elemento 6 da linha imediatamente abaixo do último elemento somado.<br />
Verifique essas coincidências para outros caminhos diagonais e/ou outros pontos de parada. Com efeito, para quem tem noções de Análise Combinatória, é fácil mostrar a veracidade dessas igualdades e que as mesmas podem ser resumidas pela seguinte bastante útil fórmula combinatória:</p></blockquote>
<p align="center"><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2b4.gif" border="1" alt="" /></p>
<blockquote>
<p>Muitas outras identidades, bem menos óbvias, podem ser retiradas do triângulo aritmético e muitas delas tem grande aplicabilidade na Matemática.</p></blockquote>
<blockquote>
<ul>
<li>Conforme descobriu Tartaglia, cerca de cem anos antes de Pascal, o triângulo aritmético também é bastante útil no <strong>cálculo de probabilidades</strong>. Com efeito, é fácil vermos que os coeficientes das expansões binomiais tem um significado combinatorial e, então, probabilístico.
<p>Por exemplo:<br />
- ao jogarmos um par de moedas - temos uma chance em quatro de obtermos duas caras, duas chances em quatro de obtermos uma cara e uma corôa, e uma chance em quatro de obtermos duas corôas; esses valores são os que aparecem na terceira linha do triângulo aritmético. A correspondência se mantém para outras quantidades de moedas, bem como outros problemas de probabilidades discretas que nada tem a ver com moedas ou jogos.</li>
</ul>
</blockquote>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<p align="center"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><font size="+2" color="#ff0000"><strong>India: 2 000 anos antes de Pascal</strong> </p>
<p></font></span></p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3">
A matemática indiana iniciou em cerca de 3 000 AC, na região de Harappa e Mohenjodaro. Era uma matemática bem rudimentar e foi somente com a introdução da religião védica, que acompanhou a invasão ariana c. 1 500 AC, é que passamos a encontrar a resolução de problemas não triviais. A matemática védica era basicamente geométrica, toda voltada para os complicados rituais de construção dos altares para suas cerimonias religiosas.</p>
<p>Cerca de 600 AC, com o esgotamente do vedismo na India, difundiram-se duas outras concepçôes religiosas, o budismo e o jainismo, ambas protestantes dos sacrificíos cruentos dos rituais védicos.<br />
A palavra <strong>jaina</strong> vem de jin, vitorioso em sânscrito, e indica <em>aqueles que obtiveram vitória sobre os desejos mundanos e que tem os sentidos totalmente sob o controle da vontade</em>. Para atingir essa perfeição, os jainas passavam por um longo treinamento, sendo que o estudo da <strong>Ganitanuyoga</strong>, ou Matemática, era considerado como um dos exercícios mais nobres e eficazes do mesmo.</p>
<p>Entre os vários temas matemáticos estudados pelos jainas estava a <strong>Vikalpa</strong>, ou Combinatória. A razão maior da grande atenção que deram à Combinatória era sua concepção atomística do mundo físico. Seu átomo, que chamavam de <em>parmanu</em>, era uma partícula indivisível, atemporal, e tal que apenas sua cor, gosto, cheiro e tactibilidade podiam mudar. Com efeito, seus átomos tinham 5 tipos de cor, 8 tipos de tactibilidade, 5 gostos possíveis e 2 cheiros distintos. Boa parte de sua combinatória envolvia problemas de cálculo das combinações das qualidades dos átomos. Como todo corpo vivo ou físico era composto de átomos, com o passar dos anos, também dedicaram-se a calcular combinações das qualidades de praticamente tudo o que existe de material e até mesmo no mundo das idéias e do espírito:</p>
<ul>
<li>quantos são os perfumes de três fragrâncias que podemos fazer se tivermos cinco fragrâncias disponíveis?</li>
<li>quantas são as combinações que podem ser feitas com os seis rasas ( gostos, quais seja: doce, salgado, amargo, adstringente, ácido e azedo ) ?</li>
<li>quantas são as combinações das três sílabas: ba, be, bi ?</li>
<li>quantos são os possíveis arranjos de objetos que o deus Sambhu pode segurar em suas dez mãos?</li>
<li>etc,etc</li>
</ul>
<p>Os livros indianos eram escritos em folhas de palmeira o que fêz com que poucos deles chegassem aos nossos dias. Para a maioria dos mais antigos livros jainas, temos apenas o nome do livro, raramente o do autor, e poucas informações matemáticas. Ademais, muitos deles não foram escritos em sânscrito. Tudo isso fêz com que ainda sejam muito poucos os estudos sobre a história da matemática jaina.<br />
A tabela abaixo, dá um resumo bem rudimentar, mas significativo, da literatura jaina associada à Combinatória e ao triângulo aritmético:</p>
<table border="1" cellspacing="1">
<tbody>
<tr>
<th align="center">  matemático  </th>
<th align="center">  época  </th>
<th align="center">livros associados ao triângulo</th>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"> ?</td>
<td bgcolor="#ffffff"> 300 AC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Bhagabati Sutra</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"> ?</td>
<td bgcolor="#ffffff"> 200 AC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Sthananga Sutra</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"> Pingala</td>
<td bgcolor="#ffffff"> 200 AC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Chanda Sutra</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"> Mahavira</td>
<td bgcolor="#ffffff"> 850 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Ganita Sara Samgraha</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"> Halayudha</td>
<td bgcolor="#ffffff"> 950 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Mritasanjivani</em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">
<p>Embora os dois primeiros livros acima já tragam regras ( sutras ) para o cálculo de combinações e arranjos, é só com Pingala 200 AC - quase 2 000 anos antes de Pascal - que encontramos o triângulo aritmético.<br />
O envolvimento de Pingala com o triângulo resultou de seu estudo de métricas musicais na versificação. Com efeito, ele observou que a expansão de, sucessivamente, métricas de uma, duas, três, etc sílabas podia ser disposta sob a forma de uma padrão numérico triangular que corresponde ao triângulo aritmético e que ele denominou <strong>meruprastara</strong>, em homenagem ao sagrado Monte Meru.</p>
<p>Para clarificar, usemos um exemplo numérico:<br />
para achar as combinações das três sílabas ba, be, bi ele ia até a quarta linha do meruprastara, 1 3 3 1, e então concluia:</p>
<ul>
<li>3 combinações de uma sílaba: ba, be, bi</li>
<li>3 combinações de duas sílabas: babe, babi, bebi</li>
<li>1 combinação de três sílabas: babebi</li>
</ul>
<p>Para construir o triângulo, Pingala descreve a seguinte regra:</p>
<blockquote><p><em>Desenhe um quadradinho; abaixo dele desenhe dois outros, de modo que juntem-se no ponto médio da base dele; abaixo desses dois, desenhe outros três e assim por diante. A seguir, escreva 1 no primeiro quadradinho e nos da segunda linha. Na terceira linha escreva 1 nos quadradinhos dos extremos, e no do meio escreva a soma dos numeros acima dele. Prossiga fazendo o mesmo nas demais linhas.Nessas linhas, a segunda dá as combinações com uma sílaba; a terceira dá as combinações com duas sílabas e assim por diante. </em></p></blockquote>
<p>Muitos séculos depois de Pingala, no livro de Halayudha ainda encontramos o meruprastara e a regra de Pingala.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<p align="center"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>China: 1 700 anos antes de Pascal</strong></span></p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd">
<blockquote><p>O uso que os antigos chineses faziam do triângulo aritmético centrava-se no cálculo aproximado de raízes quadradas, cúbicas e etc.<br />
Os chineses não tinham uma álgebra literal e todo seu envolvimento com problemas algébricos era baseado em uma notação e procedimentos apropriados para o emprego de varetas de cálculo ( instrumento que precedeu o conhecido <em>suan pan</em>, o ábaco chinês ). O triângulo aritmético, que denominavam <em>sistema de tabulação para descobrir coeficientes binomiais</em>, encaixava-se perfeitamente bem nesse esquema.</p>
<p>Num dos livros chineses mais antigos, o <em>Jiuzhang Suanshu ( Nove capítulos da Arte Matemática )</em>, escrito cerca de 100 AC, tem seu quarto capítulo dedicado ao ensino de procedimentos de extração de raízes quadradas e cúbicas. Esses procedimentos são baseados nas identidades, que já apontamos antes:</p>
<p align="center">( a + b )<sup> 2</sup> = a<sup>2 </sup>+ 2 a b + b<sup>2 </sup>= a<sup>2 </sup>+ b ( 2 a + b)</p>
<p align="center">( a + b )<sup>3 </sup>= a<sup>3 </sup>+ 3 a<sup>2 </sup>b + 3 a b<sup>2 </sup>+ b<sup>3 </sup>= a<sup>3 </sup>+ b ( 3 a<sup>2 </sup>+ 3 a b + b<sup>2 </sup>)</p>
<p>Um dos procedimentos de cálculo é exatamente o que descrevemos acima. Por exemplo, ele é aplicado na resolução de vários problemas que tem a seguinte estrutura:</p>
<blockquote><p><em>Temos uma área quadrada de 55 225 pu ( quadrados ). Qual é o valor do lado do quadrado?</em></p></blockquote>
<p>Se aplicarmos o método que descrevemos na introdução, tomando como a = 200, ficamos com a iteração</p>
<p align="center">b<sub>n+1</sub> = 15 225 / ( 400 + b<sub>n</sub> )</p>
<p>que, a partir da clássica semente b<sub>0</sub> = 0, produz as sucessivas aproximações 38, 34, 35, 35, 35, etc, ou seja: o valor exato do lado pedido é: 200 + 35 = 235 pu, como o livro responde.</p>
<p>Bem, como já dissemos, o Nove Capítulos resume-se a tratar apenas de raízes quadradas e cúbicas, e para isso não havia necessidade do triângulo aritmético. O mesmo ocorre com o famoso Liu Hui, em seu <em>Jiuzhang suanshu zhu ( Comentários sobre os &#8220;Nove Capítulos da Arte Matemática&#8221;</em>, escrito c. 250 dC.</p>
<p>Assim que, apesar desse envolvimento inicial com o binômio de Newton, o documento chinês mais antigo que temos e que traz o triângulo é o <em>Manual de Matemática</em> de Jia Xian, c. 1 050 dC.</p>
<p>O mais famoso matemático chinês associado ao triângulo aritmético foi Yang Hui c. 1 250 dC. Ele escreveu cerca de dez livros, sendo que em ao menos dois desses ( <em>Alfa e ômega de uma seleção de aplicações de métodos aritméticos</em> e o <em>Uma análise detalhada dos métodos do livro &#8220;Nove Capítulos&#8221;</em> ) ele estuda e aplica o triângulo aritmético.</p>
<p>Também é importante mencionarmos o livro <em>Precioso espelho dos quatro elementos</em>, escrito c. 1 300 dC por Zhu Shijie. Este livro traz figuras de triângulos com até nove linhas e seu autor os denomina <em>diagramas do método antigo para calcular grandes e pequenas potências</em>. Contudo, conforme já observamos acima, a denominação chinesa mais comum para o triângulo aritmético é <strong>triângulo de Yang Hui</strong>.</p>
<p><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2b2.gif" border="0" alt="" align="left" /></p>
<blockquote><p>CUIDADO :</p>
<p>A figura ao lado está sendo disponibilizada como um alerta. Já a encontramos algumas vezes como ilustração do envolvimento chinês com o triângulo aritmético. Em verdade, o uso dessa gravura é mais um dos inúmeros erros grosseiros que encontramos em escritos de leigos em História da Matemática. Com efeito, uma atenta observação da mesma mostra que <strong>não</strong> traz ideogramas chineses e sim <strong>japoneses</strong>; mais do que isso: é simplesmente imperdoável não se notar que os algarismos no seu triângulo não são chineses e sim algarismos do <strong>sistema japonês sangi</strong>.<br />
Assim que trata-se de uma gravura japonesa de um livro japonês, aliás bastante famoso e escrito cerca de cem anos depois de Blaise Pascal.<br />
Como qualquer aluno do ensino primário sabe, os japoneses copiaram quase tudo o que os chineses fizeram ou descobriram; o mesmo ocorreu com a matemática tradicional japonesa.</p></blockquote>
<p>NOTA :<br />
<em>Como se já não fosse bastante difícil para um ocidental ler e guardar os nomes chineses, temos mais um outro problema dificultando o estudo da matemática chinêsa: como transliterar os ideogramas dos nomes chineses?</p>
<p>Os nomes chineses que aparecem acima, bem como em qualquer outra matéria deste site, foram transliterados pelo sistema Pinyin, o mesmo sistema que hoje V. encontra em publicações chinesas oficiais, bem como no cinema, jornais, guias turísticos, e outros documentos do mundo real.<br />
Infelizmente, a maioria dos livros de História da Matemática, e a quase totalidade das publicações a que os professores do ensino primário e secundártio tem acesso, continuam usando o sistema de Wade-Giles, que é mais uma arcaica e obsoleta lembrança do colonialismo britânico.</p>
<p>A tabela abaixo procura atenuar a confusão que resulta dessa lamentável situação: </em></p></blockquote>
<table border="1" cellspacing="1">
<tbody>
<tr>
<th align="center">  grafia pinyin  <br />
( preferida )</th>
<th align="center">  grafia Wade-Giles  <br />
( obsoleta )</th>
<th align="center">  época  </th>
<th align="center">livros associados ao triângulo</th>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Liu Hui</td>
<td bgcolor="#ffffff">mesma</td>
<td bgcolor="#ffffff">250 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff">Jiuzhang suanshu zhu<br />
( <em>Comentários sobre os &#8220;Nove Capítulos da Arte Matemática&#8221;</em> )</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Jia Xian</td>
<td bgcolor="#ffffff">Chia Hsien</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 050 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff">Jia Xian suanjing<br />
( <em>Manual de Matemática de Jia Xian</em> )</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Yang Hui</td>
<td bgcolor="#ffffff">mesma</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 250 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff">Xiangjie jiuzhang suan fa<br />
( <em>Uma análise detalhada dos métodos do livro &#8220;Nove Capítulos&#8221;</em> )<br />
Fasuan qu yong ben mo<br />
( <em>Alfa e ômega de uma seleção de aplicações de métodos aritméticos</em> )</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Zhu Shijie</td>
<td bgcolor="#ffffff">Chu Shih-Chieh</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 300 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff">Siyuan yujian<br />
( <em>Precioso espelho dos quatro elementos</em> )</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<p align="center"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><font size="+2" color="#ff0000"><strong>Islamitas: 500 anos antes de Pascal</strong> </font></span></p>
<p> <br />
 </p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3">A reconstrução do início do envolvimento dos matemáticos de religião islâmica com o triângulo aritmético é difícil pois que os principais documentos associados perderam-se na noite dos tempos. Contudo é razoavelmente garantido podermos afirmar que, a maioria dos islamitas aprenderam o triângulo aritmético através de compilações escritas em árabe de livros indianos, como é o caso do <em>Princípios do Cálculo Hindu</em>, escrito por al Jili c. 1 000 dC, e o <em>Coisas suficientes para entender o Cálculo Hindu</em>, por al Nasawi, também em c. 1 000 dC.</p>
<p>Por outro lado, segundo os grandes especialistas em história da matemática islâmita, Roshdi Rashed e Adel Anbouba, o triângulo teria sido redescoberto em 1 007 pelo matemático al Karaji. Esse matemático teria utilizado o triângulo para obter o desenvolvimento de potências quadrática, cúbica e quártica de binómios em seus tratados de álgebra: o <em>al Fakhri</em> e o <em>al Badi</em>.<br />
Cerca de 1 975, os historiadores russos M. A. Abarova e B. A. Rosenfeld estudaram cuidadosamente essas referências e, parece-nos, concluiram que al-Karaji ensinava a calcular ( a + b )<sup> n</sup> mas não fazia nenhuma menção do triângulo aritmético: sua técnica seria uma mera elaboração dos métodos de álgebra-geométrica que remontam a Euclides e outros gregos clássicos.</p>
<p>O próximo matemático islamita que envolveu-se com o triângulo aritmético foi o muito famoso poeta e matemático persa Umar al-Khayyami c. 1 150 dC. Em seu <em>Tratado de demonstrações de problemas de Álgebra e Almuqabala</em>, ele diz que escrevera um livro - hoje, totalmente perdido - sobre o triângulo aritmético e sua aplicação na extração aproximada de raízes quadradas, cúbicas, etc, seguindo a tradição indiana. É de se insistir que a extração aproximada de raízes continuou a ser por vários séculos, entre os islamitas, o grande uso do triângulo aritmético. Mas deixemos que o grande al-Khayyami nos diga o que fêz:</p>
<blockquote><p><em>os indianos tinham métodos para calcular os lados de quadrados e cubos, &#8230;&#8230; Eu escrevi um livro que prova a correção desses métodos, e mostrei que eles realmente chegam à conclusão desejada. Eu também estendi o método para o caso das raízes quarta, quinta e etc, o que não havia sido feito antes. As demonstrações que dei disso são estritamente aritméticas, baseadas nos ensinamentos dos Elementos de Euclides. </em></p></blockquote>
<p>Na época de al Khayyami, viveu em Baghdad um outro matemático islamita que teve grande envlvimento com o triângulo aritmético, trata-se de al Samaw&#8217;al. Aos 19 anos de idade esse talentoso matemático escreveu um tratado de álgebra, o <em>al Bahir fi&#8217;l jabr ( A deslumbrante Álgebra ) </em>, onde corrigiu e expandiu o trabalho de al Karaji sobre o triângulo e o binômio de Newton; seu livro traz uma ricamente decorada figura de um triângulo aritmético de 12 linhas. Entre os notáveis resultados de al Samaw&#8217;al, neste livro, está uma demonstração por indução matemática da validade do binômio de Newton.</p>
<p>Nos séculos seguintes, a matemática islamita espalhou-se pelo Norte da Africa. Os maghrebinos tiveram um enorme interesse em problemas de Combinatória, tendo assim um fértil campo de aplicações para o triângulo. Foi a partir daí que a Combinatória chegou até a Europa Medieval, através de divulgadores viajantes como Fibonacci. Esse, incidentalmente, sofreu grande influência de al Samaw&#8217;al.</p>
<table border="1" cellspacing="1">
<tbody>
<tr>
<th align="center">  matemático  </th>
<th align="center">  época  </th>
<th align="center">livros associados ao triângulo</th>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">al Jili</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 000 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Princípios do Cálculo Hindu</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">al Nasawi</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 000 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Coisas suficientes para entender o Cálculo Hindu</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">al Karaji</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 007</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>al Fakhri</em><br />
<em>al Badi</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Umar al-Khayyami</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 150 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Tratado de demonstrações de problemas de Álgebra e Almuqabala</em>,<br />
<em>Tratado sobre o triângulo aritmético ???? </em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">al Samaw&#8217;al</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 175 dC</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>al Bahir fi&#8217;l jabr<br />
( A deslumbrante Álgebra )</em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>europeus: 100 anos antes de Pascal</strong></span> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd">No século que antecedeu Pascal, mais de uma dezena de matemáticos europeus trabalharam com o triângulo aritmético.<br />
O mais antigo deles parece ter sido o matemático alemão Apianus. Esse, em 1 527, publicou um livro - de título: <em>Rechnung</em>, ou seja: Cálculo - cuja capa trazia um desenho do triângulo aritmético.<br />
Mas o alemão que mais divulgou o triângulo foi Stifel, principalmente através da sua muito importante e influente <em>Arithmetica Integra, 1 544</em>. Segundo o historiador Kurt Vogel, Stifel declarou que havia &#8221; descoberto os coeficientes com grande dificuldade, nisso nao tendo sido ensinado por ninguém e não tendo podido ter a ajuda de nenhum livro &#8220;.</p>
<p>Um pouco depois dos alemâes, alguns matemáticos italianos redescobriram o triângulo. O principal deles foi Tartaglia o qual lhe dedicou muitas páginas de seu enorme livro <em>General Tratato di numeri et misure</em>, 1 556. Embora, hoje pouco conhecido pelos historiadores, esse livro foi o melhor, mais completo e maior tratado de aritmética até então escrito. Segundo Gino Loria, equivaleria a cerca de 4 000 páginas impressas em tipo moderno.<br />
Após Tartaglia, vários outros italianos dedicaram-se ao tema, como os importantes Cardan e Bombelli.</p>
<p>Entre os franceses que antecederam Pascal, podemos encontrar vários que conheciam o triângulo aritmético. Deles, o que mais divulgou o triângulo foi Peletier, através de sua <em>Arithmétique</em>, livro de enorme sucesso na época e que teve várias edições, a primeira em 1 549. Também devemos mencionar: Girard (1629), Mersenne (1636), etc.</p>
<table border="1" cellspacing="1">
<tbody>
<tr>
<th align="center">  matemático  </th>
<th align="center">  época  </th>
<th align="center">livros associados ao triângulo</th>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Apianus</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 527</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Rechnung</em><br />
( Cálculo )</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Stifel</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 544</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Arithmetica Integra</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Tartaglia</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 556</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>General Tratato di numeri et misure</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">Peletier</td>
<td bgcolor="#ffffff">1 549</td>
<td bgcolor="#ffffff"><em>Arithmétique</em></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">etc</td>
<td bgcolor="#ffffff">etc</td>
<td bgcolor="#ffffff">etc</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Mas, e o que fez Pascal?</strong></span> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="17" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3">Em 1 654, um famoso jogador profissional, Antoine Gombauld, pomposamente autodenomidado <strong>o Cavaleiro de Méré</strong>, escreveu uma carta ao famoso matemático francês Blaise Pascal, propondo-lhe resolver alguns problemas matemáticos que tinha encontrado em suas lides com jogos de azar.</p>
<p>Entre os problemas propostos por de Méré estava o seguinte:</p>
<blockquote><p><em>Jogando com um par de dados honestos, quantos lances são necessários para que tenhamos uma chance favorável ( ou seja, de mais de 50% ) de obtermos um duplo-seis, ao menos uma vez? </em></p></blockquote>
<p>O interesse de de Méré no problema residia no fato de que sua &#8220;solução&#8221; para o mesmo não funcionava na prática, produzindo-lhe constantes prejuízos.<br />
Com efeito, ele não conseguia ver o que estava errado em seu raciocínio:</p>
<blockquote><p><em>&#8221; Quando jogamos <strong>apenas um dado</strong>, temos chance 1/6 de obter um seis, e como 3 x 1/6 = 50% e 4 x 1/6 = 67%, vemos que precisamos jogá-lo 4 vezes para ter chance maior do que 50% de obtermos, ao menos uma vez, um seis. Ora, quando jogamos <strong>um par de dados</strong> temos 36 possibilidades, ou seja 6 vezes mais possibilidades de quando jogamos um único dado, consequentemente, precisaremos jogar o par de dados 6 x 4 = 24 vezes para ter chance maior do que 50% de obtermos, ao menos uma vez, um duplo seis&#8221;. </em></p></blockquote>
<p>Pascal percebeu o erro de de Méré e se dispôs a achar a solução correta. Trocando idéias com o grande matemático Fermat, logo se convenceu que a resolução teria de passar pela enumeração combinatorial das possibilidades de ocorrência do duplo-seis. Procurando uma maneira inteligente de fazer essa trabalhosa enumeração, Pascal redescobriu e aperfeiçou uma interpretação combinatória e probabilística do triângulo aritmético, a mesma que Tartaglia já havia descoberto e estudado.</p>
<p>Dessa maneira, conseguiu mostrar que:</p>
<ul>
<li>em 24 lances de um par de dados, a probabilidade de ocorrer, ao menos uma vez, um duplo-seis é de 49.1%<br />
( sendo então, ao contrário do que achava de Méré, &#8220;desfavorável&#8221; ao jogador )</li>
<li>em 25 lances de um par de dados, a probabilidade de ocorrer, ao menos uma vez, um duplo-seis é de 50.6%<br />
( sendo, agora, &#8220;favorável&#8221; ao jogador )</li>
</ul>
<p>Pascal não ficou sómente na resolução desse e outros problemas de de Méré. Com efeito, gastou um ano escrevendo uma monografia de cerca de sessenta páginas sobre o triângulo aritmético: <em>Traité du triangle arithmétique</em>, a qual foi publicada só postumamente, em 1 665. Nessa monografia, Pascal introduziu o triângulo de um modo bem complicado e usando uma notação estritamente geométrica - bem ao estilo clássico, anterior a Viète e Descartes - provou algumas identidades envolvendo os coeficientes binomiais e aplicou o triângulo na resolução de pequenos problemas de probabilidades e de combinatória.</p>
<p>Quase cem anos depois, em 1 739, o matemático inglês de Moivre publicou trabalho em que usou a denominação TRIANGULUM ARITHMETICUM PASCALIANUM para o triângulo aritmético. Dada a repercussão que esse trabalho teve na época, isso acabou tornando consagrada a denominação &#8220;triângulo de Pascal&#8221; na Inglaterra, França e mais alguns países europeus.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Bibliografia para aprofundamento:</strong></span> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="37" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd">AWF Edwards:<em> Pascal&#8217;s Arithmetic Triangle</em>,<br />
London: Charles Griffin &amp; New York: Oxford Univ. Press, 1987.</p>
<p>David Fowler:<em> The Binomial Coefficient Function</em>,<br />
Amer Math Monthly 103 (1996)1-17.</p>
<p>N. L. Biggs:<em> The roots of combinatorics</em>.<br />
Historia Math. 6(1979), no.2,109-136.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<blockquote>
<p align="left"> </p>
</blockquote>
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</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Os números complexos foram inventados para resolvermos as equações do segundo grau   ?</title>
		<link>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/os-numeros-complexos-foram-inventados-para-resolvermos-as-equacoes-do-segundo-grau/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 06:09:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[


Não ! Isso é uma falácia clássica 
Além de historicamente errada, essa extremamente comum &#8220;explicação&#8221; para o surgimento dos números complexos é um absurdo. Com efeito, por que alguém iria buscar raízes num campo numérico desconhecido?
Até cerca de 1 650 dC, em respeito à orientação geométrica da matemática grega, as únicas raízes consideradas como legítimas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="1" cellpadding="15" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#faebd7"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Não ! Isso é uma falácia clássica</strong> </span></p>
<p>Além de historicamente errada, essa extremamente comum &#8220;explicação&#8221; para o surgimento dos números complexos é um absurdo. Com efeito, por que alguém iria buscar raízes num campo numérico desconhecido?</p>
<p>Até cerca de 1 650 dC, em respeito à orientação geométrica da matemática grega, as únicas raízes consideradas como legítimas ou verdadeiras eram as que correspondiam à grandezas geométricas ou físicas : podiam ser interpretadas como comprimentos, áreas, volumes, massas, etc. Diríamos hoje: correspondiam a <strong>números reais POSITIVOS</strong> .</p>
<p>Por exemplo, Bhaskara, que foi um dos indianos que mais perto chegou da idéia da moderna álgebra ( conhecia a regra menos vezes menos dá mais, trabalhava com equações de coeficientes negativos, etc ), reconhecia que a equação</p>
<p><strong>x<sup>2</sup> - 45 x = 250</strong></p>
<p align="left">era satisfeita por dois valores, <strong>x = 5</strong> e <strong>x = - 5</strong>, mas dizia que <em>não considera-se a segunda pois as pessoas não apreciam raízes negativas</em> .</p>
<p>Resumindo, até o surgimento dos cartesianos, c. 1650, as raízes eram divididas em <strong>verdadeiras</strong> ( correspondiam aos reais positivos) e <strong>falsas</strong> ( que correspondiam aos reais negativos e não eram consideradas como legítimas ). As únicas e raras ocorrências de raízes negativas nesse período surgiam em problemas de contabilidade, onde eram interpretadas como dívidas.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<table border="1" cellpadding="15" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffcc"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Como surgiram os números complexos ?</strong></span></p>
<p>Cardano 1545 ao tentar resolver a cúbica <strong>x<sup> 3</sup> = 4 + 15x</strong> , a qual ele sabia ter <strong>raiz verdadeira</strong> x = 4, constatou que a regra de dal Ferro-Tartaglia produzia a seguinte expressão ( em notação moderna ) :</p>
<table border="0" bgcolor="#ffffff">
<tbody>
<tr>
<td><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/compla1.gif" alt="" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">Deparando-se com o termo <strong><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" alt="" /> - 121 </strong>, ele não conseguiu ver como &#8220;destravar&#8221; o calculo, de modo a fazer a regra chegar ao esperado <strong>x = 4</strong>.</p>
<p>Foram precisos mais de 25 anos para Bombelli, em 1572, atinar como resolver o impasse . Esse disse ter tido a &#8220;idéia louca&#8221; de operar com as quantidades da forma <strong>a + b <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" alt="" /> -1 </strong>sob as mesmas regras que se usa com os números reais, mais a propriedade</p>
<p><strong>( <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" border="0" alt="" align="middle" /> -1 )<sup>2</sup> = -1 </strong></p>
<p align="left">para assim conseguir &#8220;destravar&#8221; a regra, fazendo-a produzir o desejado <strong>x = 4</strong>.</p>
<p>O próprio Bombelli não estava bem seguro do que havia criado, chegando mesmo a dizer que eram <em>uma nova espécie de raízes quadradas &#8230; que tem regras diversas das outras</em>. Para os demais matemáticos da época, os números complexos eram vistos com suspeita e quanto muito tolerados, na falta de melhor coisa. Até o nome que receberam, <strong>números SOFÍSTICOS</strong>, espelhava bem a situação.</p>
<p>É de se acrescentar que alguns matemáticos da época procuraram descobrir maneiras de se evitar o uso dos complexos. Entre eles, o que mais procurou evitar as <em>torturas mentais envolvidas com o uso de raízes quadradas de negativos</em> foi Cardano. Em seu difícil livro <strong>De Regula Aliza</strong>, de 1 570, Cardano procurou inventar artifícios de cálculo que evitassem o uso de raízes quadradas de negativos quando da aplicação das regras de resolução de cúbicas. Conseguiu apenas magros resultados. Foram necessários trezentos anos para que, em 1 890, Capelli conseguisse provar que isso é em geral impossível de conseguir.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <br />
 </p>
<table border="1" cellpadding="15" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#faebd7"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>O primeiro estudo dos complexos: Bombelli 1 572</strong> </span></p>
<p>Rafael Bombelli gastou 74 páginas de sua L&#8217;Algebra para estudar as leis algébricas que regiam o cálculo com as quantidades <strong>a + b <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" alt="" /> -1</strong> . Em particular, mostrou que</p>
<blockquote>
<ul>
<li>as 4 operações aritméticas sobre números complexos produzem numeros desse tipo</li>
<li>a soma de um real e um imaginário puro <em>não pode se reduzir a um só nome</em>.</li>
</ul>
</blockquote>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<table border="1" cellpadding="15" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffcc"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Investigação do fechamento dos complexos</strong> </span></p>
<p>Embora Bombelli já tivesse se preocupado em provar o fechamento das operações aritméticas com números complexos, em 1 680, encontramos ninguêm menos do que Leibniz questionando-se se seria real ou não o resultado de<br />
<strong><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" alt="" />( a + ib ) + <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" alt="" />( a - ib )</strong></p>
<p align="left">
Lambert, em 1 750, mostrou que <strong><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/sqrt.gif" alt="" align="middle" /> i</strong>  ,  <strong>i<sup> i</sup></strong> ,etc todos tem a forma <strong>a + ib</strong>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<table border="1" cellpadding="15" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#faebd7"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Extensão das operações transcendentes aos complexos:</strong> </span></p>
<p>A principal dificuldade foi entender o logaritmo de números complexos. E se vamos falar do <strong>ln z</strong>, por que não falar no log de <strong>reais</strong> negativos ? Com efeito, estendeu-se por muitos anos a polêmica do significado e valor do <strong>ln (-1)</strong>. Nada menos do que Leibniz, Euler e J. Bernoulli entraram na briga.</p>
<p>Bernoulli alegava que, como <strong>1<sup> 2</sup> = (-1)<sup> 2</sup></strong>, tomando o log, obtemos <strong>0 = ln(-1)</strong>. Leibniz dizia que isso não pode ser correto, uma vez que teríamos, de <strong>ln(-1) = 0</strong>, que <strong>-1 = e<sup> 0</sup> = 1</strong>.<br />
O passo decisivo foi dado por Euler que mostrou que o log de um número não nulo tem infinitos valores, os quais são todos imaginários no caso do número ser negativo.</p>
<p>Boa parte dessas discussões envolviam argumentos metafísicos e não podemos dizer que Euler tenha esclarecido definitivamente a questão. Isso só ocorreu em 1 830 com Martin Ohm, o qual deu uma teoria completa para o calculo de <strong>a<sup> b</sup></strong> e de <strong>ln a</strong> ( com a,b complexos ). Suas idéias foram divulgadas e estendidas por Cauchy , o qual elucidou a questão da multivocidade através das noções de <strong>ramo principal e ramos secundários de uma função</strong>.</p>
<p><strong>exemplo:</strong><br />
como <strong>e<sup>2 <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/pi.gif" border="0" alt="" />i</sup> = 1 </strong>, então <strong>ln ( e<sup>2 <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/pi.gif" alt="" /> i </sup>) = ln ( 1 )</strong> mas é errado disso concluir que <strong>2 <img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/pi.gif" border="0" alt="" /> i = 0</strong>.<br />
Foi só com as idéias de Ohm e Cauchy que aprendemos a fazer o cálculo corretamente.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<table border="1" cellpadding="15" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffcc"><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>A aceitação dos números complexos:</strong> </span></p>
<p>Talvez possamos dizer que os principais matemáticos responsáveis por essa aceitação foram:</p>
<blockquote>
<ul>
<li><strong>Lambert e Euler</strong> que estudaram o fechamento dos números complexos sob operações algébricas e transcendentes</li>
<li><strong>Wessel</strong> que introduziu ( 1 797 ) a moderna representação geométrica, que foi depois popularizada por <strong>Mourey e Gauss</strong> c. 1 830.</li>
<li><strong>Gauss</strong> que divulgou e muito usou essa representação e provou que os nmeros complexos sao necessários e suficientes para a Algebra ( Teorema Fundamental da Algebra: todo polinômio de coeficientes reais ou complexos pode ser fatorado em termos lineares, possivelmente complexos )</li>
<li><strong>Ohm e Cauchy</strong> que esclareceram a multivocidade das operações algébricas e transcendentes sobre os complexos</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Com isso, a terminologia desconfiada inicial ( n. sofísticos c. 1570, n. imaginários c. 1650 ) acabou cedendo lugar à mais natural denominação atual: números complexos, em c. 1830.</p>
<p>Já no séc. dos 1800&#8217;s os n. complexos encontraram grande uso no estudo da Mecânica de Fluídos, da Eletricidade e outros fenômenos em meios contínuos. Hoje, são instrumental absolutamente necessário em inúmeros campos da Ciência e Tecnologia.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--þþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþþ--><br />
<img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/redline.gif" alt="" /></p>
<blockquote><p><a href="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2.html#uno"><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/voltapag.gif" border="0" alt="volta" /></a></p></blockquote>
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</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Números Primos</title>
		<link>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/numeros-primos-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 06:03:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[



Muitas pessoas acham que a palavra primo - para denotar os números primos - está associada a alguma analogia de parentesco. Como veremos, isso é totalmente falso. Esse &#8220;primo&#8221; refere-se à idéia de primeiro, e tem sua origem numa velha concepção numérica dos pitagóricos. 




C O N C E P C A O&#160;&#160; P I [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><P><BR></P></p>
<p><TABLE cellPadding="10" width="80%"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#252544"><BR><BR><FONT color="white"><FONT face="courier,times">Muitas pessoas acham que a palavra primo - para denotar os números primos - está associada a alguma analogia de parentesco. Como veremos, isso é totalmente falso. Esse &#8220;primo&#8221; refere-se à idéia de primeiro, e tem sua origem numa velha concepção numérica dos pitagóricos. <BR><BR></FONT></FONT></TD></TR></TBODY></TABLE><br />
<P><BR><BR></P></p>
<p><TABLE cellPadding="10" width="80%"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#464656"><BR><FONT face="arial,helvetica" color="yellow">C O N C E P C A O&nbsp;&nbsp; P I T A G O R I C A&nbsp; de&nbsp; N Ú M E R O &nbsp;&nbsp; P R I M O </B></FONT><BR><BR><FONT face="arial,helvetica" color="white">A noção de número primo foi, muito provavelmente, introduzida por Pythagoras, c. 530 AC, sendo que a mesma desempenhou um papel central tanto na matemática como no misticismo pitagórico. <BR><BR>A escola pitagórica dava grande importância ao número um, que era chamada de unidade (&nbsp;em grego: <B>monad</B>&nbsp;). Os demais números inteiros naturais - o 2, 3, 4, etc - tinham um carácter subalterno, sendo vistos como meras multiplicidades geradas pela unidade e por isso recebiam a denominação número (&nbsp;em grego: arithmós&nbsp;). <BR><BR>Era como se tivéssemos uma família, onde a &#8220;mãe&#8221; era a monad (&nbsp;unidade&nbsp;) e os &#8220;filhos&#8221; os arithmói (&nbsp;os números&nbsp;): <BR><BR></p>
<p><TABLE cellPadding="10" width="60%" border="0"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#c0c0c0"><br />
<BLOCKQUOTE><br />
<UL><br />
<LI><B>a monad: <BR>a unidade ou um&nbsp;</B><br />
<LI><B>os arithmói &nbsp;(&nbsp;os números&nbsp;) dois, três, quatro, etc, ou seja:<BR>todas as coleções de unidades</B> </LI></UL></BLOCKQUOTE></TD></TR></TBODY></TABLE><BR><br />
<P align="left">Entre os pitagóricos, a preocupação com a geração dos números não parava aí. Já o próprio Pythagoras teria atinado que existem dois tipos de arithmói: <BR><BR><br />
<UL><br />
<LI>os <B>protoi arithmói</B>&nbsp; (&nbsp;números primários ou primos&nbsp;)<BR>que são aqueles que não podem ser gerados - via multiplicação - por outros arithmói, como é o caso de 2, 3, 5, 7, 11, &#8230;<br />
<LI>os <B>deuterói</B> arithmói&nbsp; (&nbsp;números secundários&nbsp;)<BR>que são os que podem ser gerados por outros arithmói, como é o caso de 4&nbsp;=&nbsp;2.2, 6&nbsp;=&nbsp;2.3, 8&nbsp;=&nbsp;2.4, 9&nbsp;=&nbsp;3.3, etc </LI></UL><BR>Assim que os primeiros matemáticos gregos dividiam o que hoje chamamos de números inteiros naturais em três classes: <BR><BR></p>
<p><TABLE cellPadding="10" width="60%" border="0"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#c0c0c0"><br />
<BLOCKQUOTE><br />
<UL><br />
<LI><B>a monad ( ou unidade, ou 1 )</B><BR><BR><br />
<LI><B>os protói arithmói (&nbsp;números primos&nbsp;) ou asynthetói arithmói (&nbsp;números incompostos&nbsp;):<BR>2, 3, 5, 7, 11, etc</B><BR><BR><br />
<LI><B>os deuterói arithmói (&nbsp;números secundários&nbsp;) ou synthetói arithmói (&nbsp;números compostos&nbsp;):<BR>4, 6, 8, 9, 10, etc</B> </LI></UL></BLOCKQUOTE></TD></TR></TBODY></TABLE><BR><BR><br />
<P align="left"><br />
<P align="left"><B>OBSERVACAO:</B><BR><BR>Ainda por influência dos pitagóricos, por muitos séculos houve polêmica acerca da primalidade do número dois. Os primeiros pitagóricos chamavam-lhe dyad, atribuiam-lhe carácter especial - embora bem menos importante do que o da monad - e alguns deles não o incluiam entre os arithmói. Consequente, muitos pitagóricos não consideravam o dois como primo. É só pela época de Aristóteles c. 350 AC que passou a ser comum considerar o dois tanto como número como primo, sendo que esse costume foi consagrado pelo livro Elementos de Euclides c. 300 AC. <BR><BR><B>OBSERVACAO:</B><BR><BR>Entre os gregos, principalmente entre gregos pitagóricos de várias gerações depois de Pythagoras, surgiram outras denominações para os números primos, como: retilíneos, lineares e eutimétricos. Contudo, elas tiveram uso muito restrito e cairam no desuso. <BR><BR></P></FONT></TD></TR></TBODY></TABLE><BR><BR><br />
<TABLE cellPadding="10" width="80%" border="0"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#faebd7"><FONT face="arial,helvetica" color="red"><B>Q U E S T O E S&nbsp; &nbsp; D O C U M E N T A I S&nbsp;&nbsp; G R E G A S</B> </FONT><BR><BR><FONT face="arial,helvetica" color="black">Acima, dissemos que &#8220;a noção de número primo foi, muito provavelmente, introduzida por Pythagoras&#8221;. Com efeito, é impossível ter completa segurança nessa atribuição, pois Pythagoras não deixou nenhum escrito e os documentos mais antigos que temos falando de suas idéias resumem-se a pequenos fragmentos de textos escritos várias gerações depois dele. Contudo, esses fragmentos, apesar de conterem muito escassas informações, são unânimes em afirmar que Pythagoras iniciou o estudo dos números primos. <BR><BR>O mais antigo livro de matemática que chegou completo aos nossos tempos e que desenvolve sistematicamente o estudo dos números primos é o Elementos de Euclides c. 300 AC. Como é sabido, Euclides seguiu muito de perto a orientação matemática dos pitagóricos. Assim, não é surpreendente que, no capítulo em que trata da Teoria dos Números, ele defina número primo de um modo absolutamente compatível com as idéias pitagóricas expostas acima. Com efeito (&nbsp;Elementos, VII, def.11&nbsp;, na versão de Heath&nbsp;): <BR><BR><br />
<P align="center"><B>protós arithmós</B> estin monadi mone metroymenos<BR>ou seja:<BR><B>número primo</B> é todo aquele que só pode ser medido através da unidade </P><BR><BR><BR></FONT></TD></TR></TBODY></TABLE><!----><br />
<P><BR><BR></P></p>
<p><TABLE cellPadding="10" width="80%"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#464656"><BR><FONT face="arial,helvetica" color="yellow">S U R G I M E N T O&nbsp;&nbsp;da&nbsp;&nbsp;D E N O M I N A C A O&nbsp;&nbsp; L A T I N A : primus </B></FONT><BR><BR><FONT face="arial,helvetica" color="white">A Arithmetiké do grego Nikomachos, c.&nbsp;100 dC, é o mais antigo livro de Teoria dos Números, posterior ao Elementos de Euclides, que chegou até nossos dias. Trata-se de uma visão de filósofo e letrado do Elementos, sendo que não há uma única demonstração entre os poucos tópicos abordados. Apesar disso, teve grande repercussão na época e foi a base do primeiro livro em latim que se escreveu sobre Teoria dos Números: o De Institutione Arithmetica, do romano Boethius c. 500 dC. <BR><BR>No livro de Boethius é onde aparece, pela primeira vez, a denominação <B>numerus primus</B> como tradução da tradicional protós arithmós preservada de Euclides por Nikomachos. Ademais, Boethius, sempre seguindo Nikomachos, usa a velha classificação pitagórica dos números naturais: primos ou incompostos versus secundários ou compostos. <BR><BR>O Livro de Boethius foi, durante cerca de seiscentos anos, a única fonte de estudos de Teoria dos Números disponível na Idade Média. <BR>Em torno de 1 200 dC iniciou o renascimento científico e matemático do Mundo Cristão, com o afluxo das obras árabes e a tradução das obras gregas preservadas no Mundo Islamita. É dessa época um dos mais influentes livros de todos os tempos: o Liber Abacci, de Fibonacci. Esse grande matemático, que havia estudado entre os muçulmanos do Norte da África, diz que acha melhor dizer <I>primus</I> em vez do <I>incomposto</I> preferido pelos árabes e outras pessoas. Ficou assim, definitivamente, consagrada a denominação <I>número primo</I> na Europa Cristã. <BR><BR></FONT></TD></TR></TBODY></TABLE><br />
<P><BR><BR></P></p>
<p><TABLE cellPadding="20" width="80%"><br />
<TBODY><br />
<TR><br />
<TD bgColor="#252544"><FONT face="arial,helvetica" color="#00ffff">B I B L I O G R A F I A </FONT><BR><BR><FONT face="arial,helvetica" color="white"><br />
<UL><br />
<UL><br />
<LI>M. TIMPANARO-CARDINI: Pitagorici. Testimonanze e frammenti, 3 vols. Florence, 1 958.<br />
<LI>H. DIELS, W. KRANZ: Die Fragmente der vorsokratiker, 7a ed. 1954.<BR>sec. 14 para Pythagoras e secs. 37-58 para os primeiros díscipulos<br />
<LI>PAULY WYSSOVA: Real Encyclopaedie der Classische Altertumswissenschaft. Stuttgart, 1963. Vol XXIV, pp 171-300<br />
<LI>K. SYLVAN GUTHRIE: The Pythagorean Sourcebook and Library. An Anthology of Ancient Writings Which Relate to Pythagoras and Pythagorean Philosophy. Phanes Press, 2 000.<br />
<LI>B. VAN DER WAERDEN: Die Arithmetik der Pythagoreer. Math. Ann., 120, (1947-49), pp 127-153, 676-700. </LI></UL></UL></FONT></TD></TR></TBODY></TABLE><BR><BR><br />
<P align="left"><br />
<BLOCKQUOTE>&nbsp;</BLOCKQUOTE></p>
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		</item>
		<item>
		<title>O desenvolvimento das aplicações das probabilidades</title>
		<link>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/o-desenvolvimento-das-aplicacoes-das-probabilidades/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 05:59:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[


O desenvolvimento das aplicações das probabilidades 






No período que vai dos primeiros estudos matemáticos de probabilidades até a metade do século passado, surgiram varias aplicações da Teoria das Probabilidades, aplicações que chamamos de clássicas:

os cálculos atuariais, especialmente os associados aos seguros de vida
os estudos demográficos e, em especial, os estudos de incidência de doenças infecciosas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellpadding="5" width="90%" bgcolor="#ffff80">
<tbody>
<tr>
<td align="center"><span style="font-size: small;color: #ff0000"><strong>O desenvolvimento das aplicações das probabilidades </strong></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%" bgcolor="#000000">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#77c8ab">No período que vai dos primeiros estudos matemáticos de probabilidades até a metade do século passado, surgiram varias aplicações da Teoria das Probabilidades, aplicações que chamamos de <strong>clássicas</strong>:</p>
<ul>
<li>os cálculos atuariais, especialmente os associados aos seguros de vida</li>
<li>os estudos demográficos e, em especial, os estudos de incidência de doenças infecciosas e o efeito da vacinação ( exemplo de grande repercussão na época sendo o da varíola )</li>
<li>a construção das loterias nacionais e o estudo dos jogos de azar: carteados, roleta, lotos, etc</li>
</ul>
<p>Contudo, o que queremos aqui abordar é o surgimento das <strong>modernas</strong> aplicações da Teoria das Probabilidades, pois são essas que vão demonstrar a enorme importância teórica e prática das idéias probabilistas e estender seu uso a uma enorme gama de profissionais e até mesmo a muitas atividades do cotidiano do viver moderno. Dentre essas modernas aplicações, nos concentraremos em:</p>
<ul>
<li> 
<ul>
<li> 
<ul>
<li> 
<ul>
<li>probabilidades na Física</li>
<li>probabilidades na Estatística</li>
<li>probabilidades na Engenharia</li>
</ul>
</li>
</ul>
</li>
</ul>
</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<blockquote><p> </p>
<p> </p></blockquote>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"><span style="color: #ff0000"><strong>1.- PROBABILIDADES NA FISICA</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #ff0000"><strong>Teoria dos Erros Experimentais</strong></span></p>
<p>A partir do sec XVIII, o desenvolvimento e barateamento dos instrumentos de medida em muito multiplicou as observações quantitativas em laboratório e em campo. Logo os físicos deixaram-se de se contentar em ter conseguido medir, eles passaram a buscar a melhor medida possível. Em termos mais precisos, queriam a resposta do <em>Problema Fundamental da Teoria dos Erros</em>:</p>
<table border="1" cellpadding="15" width="75%">
<tbody>
<tr>
<td>se em condições idênticas foram obtidas medidas <strong>x<sub> 1</sub>, x<sub> 2</sub>  . . .   x<sub> n</sub></strong> para uma grandeza de valor exato <strong>x</strong> desconhecido, determinar a probabilidade de que o valor de <strong>x</strong> seja uma quantidade expressa em termos dos <strong>x<sub> k</sub></strong>, como e&#8217; o caso da média dessas medidas.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">Esse problema foi exaustivamente estudado por Legendre, Laplace e Gauss, no final do sec XVIII e início de sec XX. O resultado mais fundamental foi estabelecido por Gauss, ao provar que se os erros das medidas tem uma distribuição gaussiana ( ou da curva normal ) então o valor mais provável de <strong>x</strong> é a média das medidas <strong>x<sub> k</sub></strong>.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Probabilidades na Física Estatística</strong></span></p>
<p>Até a metade do sec XIX, os físicos viam a Teoria dos Erros como a única utilidade das probabilidades. Para isso era usado o seguinte argumento: é perfeitamente concebível que usemos probabilidades e estatística no estudo de fenômenos biológicos e sociais, afinal as pessoas de uma população tem altura, peso, inteligência diferentes; contudo, não há possibilidade de esse tipo de variações no mundo físico: as propriedades de duas gotas de água ou dois litros de ar são absolutamente as mesmas.</p>
<p>Foi preciso um gênio do calibre de Maxwell para derrubar esse preconceito.<br />
Maxwell implicara com o Princípio de Carnot, que diz que o calor não pode fluir espontâneamente ( = sem gasto de energia ) de um corpo frio para um quente. Usando que a temperatura é um efeito médio das moléculas dos corpos, Maxwell acabou mostrando que era perfeitamente possível que uma inteligência, a qual hoje chamamos de <em>demônio de Maxwell</em>, conseguisse fazer o calor passar de um corpo frio para um quente, sem gasto de energia. Como um segundo estágio de suas idéias, passou a defender que as leis termodinâmicas deveriam ter uma formulação probabilística. Em c. 1860 deu ao mundo a primeira lei física de natureza probabilística: <strong>a lei de Maxwell</strong> para a distribuição do percentual <strong>p</strong> de moléculas de um gás em equilíbrio que estão com velocidade ( a rigor: rapidêz ) <strong>v</strong>. Sendo a e b parâmetros do gás:</p>
<p>p=p(v)=a v<sup> 2</sup> e <sup>- b v<sup> 2</sup></sup></p>
<p align="left">As idéias de Maxwell foram tornadas ao mesmo tempo práticas e mais gerais ( pois que aplicáveis a fenômenos físicos outros que os de calor ) com Josiah Wilard Gibbs, com seu <em>Principles of Statistical Mechanics</em>, 1902, uma das obras mais importantes já escritas em toda a história da Humanidade e que verdadeiramente deu maturidade à abordagem probabilística dos fenômenos físicos.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Probabilidades na Física Quântica</strong></span></p>
<p>O formalismo da <strong>Mecânica Estatística</strong> mostrou o quão útil podia ser a Teoria das Probabilidades para estender o poder da Ciência clássica e equipá-la com instrumentos capazes de uma análise muito mais ampla do comportamento da matéria e da energia: o estudo das reações químicas, dos processos termodinâmicos, da radiação eletromagnética, etc.</p>
<p>Contudo, no final do século XIX, começaram a surgir inconsistências nesta vasta paisagem. Por exemplo, o equilíbrio das radiações não podia conviver logicamente com a idéia natural de distribuição contínua dos níveis energéticos. Logo se viu que a evidência experimental levava à uma estrutura discreta dos níveis energéticos. A descoberta do elétron e a concepção atômica de Rutherford apontavam grandes discrepâncias entre a teoria clássica do eletromagnetismo e o calor específico dos metais. A teoria ondulatória da luz tinha sido adotada para se poder explicar os fenómenos de interferência luminosa, mas o efeito fotoelétrico parecia preferir uma interpretação corpuscular. Pior do que isso, para esses mesmos elétrons observou-se fenômenos de interferência, o que sugeria que eles também podiam comportar-se como ondas.</p>
<p>A resolução dessas dificuldades foi iniciada com Max Planck, no início do século XX, e acabou produzindo outra das maiores obras da Humanidade: <strong>a Mecânica Quântica</strong>. Essa nova disciplina, ao explicar os fenômenos de radiação em termos de probabilidades, destruiu o ponto de vista clássico que pregava que todos os fenômenos eram deterministas. Sob um ponto de vista mais prático, permitiu uma muito fértil aproximação entre o ponto de vista dos físicos e o dos químicos no estudo da matéria, disso resultando uma enorme massa de resultados fundamenatis tanto nso estudos teóricos ( como uma adequada descrição molecular da química, e a interpretação e previsão de fenómenos de radiação em uma enorme faixa de energias ) como na criação de importantes tecnologias ( como a eletrónica e a engenharia nuclear ).</p>
<p>O objetivo inicial da Mecânica Quântica era explicar as interações entre matéria e energia mas acabou tendo o papel de retificar e completar a Física e Química clássicas. No que toca aos fenômenos macroscópicos, passou-se a pensar em termos de efeitos macroscópicos consequência do comportamento de uma enorme quantidade de micro-sistemas cujas leis são probabilistas. Esses micro-sistemas não são totalmente independentes ( por exemplo, os átomos de um sólido obedecem relações espaciais ), mas não podem ser individualizados e os cálculos probabilistícos envolvidos precisam levar isso em conta. Assim que foi necessário um ponto de vista revolucionário para descrever o comportamento dos micro-sistemas: as grandezas observáveis tem natureza verdadeiramente probabilista.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"><span style="color: #ff0000"><strong>2.- PROBABILIDADES NA ESTATISTICA</strong></span></p>
<p align="left">A História registra censos, para fins de alistamento militar e de coleta de impostos, realizados há mais de 4 000 anos, como é o caso do censo do imperador Yao na China, em 2 200AC. Em todo esse tempo, por estatística entendia-se meramente o trabalho de exibição e síntese dos dados referentes colhidos pelo censo. Mais importante do que observar que estava restrita aos censos é notar que era uma mera <strong>Estatística Descritiva</strong>, a qual não envolvia <strong>nenhum trabalho probabilístico</strong>, pois todos os objetos do universo envolvido ( a população ) eram observados ou medidos.</p>
<p>A primeira pessoa a atinar em medir/observar apenas uma pequena amostra do universo envolvido e, a partir de análise probabilista, estender os resultados da amostra para o todo do universo ou população foi Adolphe Quételet, c. 1850.<br />
A partir dele, rapidamente surgiu a idéia de dar um embasamento mais rigoroso para o método científico, a partir de uma fundamentação probabilista para as etapas da coleta e a da análise indutiva de dados científicos. Essa concepção, hoje essencial no trabalho científico, só atingiu um nível prático no início do sec XX e desenvolveu-se em três grandes frentes:</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>A inferência estatística</strong></span></p>
<p>estuda técnicas que permitem quantificar probabilisticamente as incertezas envolvidas ao induzirmos para um universo observações feitas numa amostra do mesmo. Por exemplo:<br />
uma companhia de aviação deseja saber o tempo médio que seus passageiros gastam ao desembarcarem no aeroporto XYZ. Numa amostra de 320 passageiros, o tempo médio foi de 23 min. Com 95% de chances de certeza, o que poderá a companhia dizer sobre o erro cometido ao afirmar que o tempo médio de desembarque de seus passageiros seu é 23 min, no aeroorto XYZ ?<br />
Os pais da Inferência Estatística são J. Neyman e Karl Pearson, os quais a criaram em varios artigos escritos c. 1930. Embora os estudos de Neyman e Pearson estivessem associados à questões de hereditariedade, os métodos e até as expressoes que criaram, tais como <strong>&#8220;hipótese nula&#8221;</strong> e <strong>&#8220;nível de significância&#8221;</strong>, fazem hoje parte da rotina diária de todo estatístico e cientista.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>O delineamento dos experimentos científicos </strong></span></p>
<p>trata das precauções que o cientista deve tomar, antes de iniciar suas observações ou medidas, de modo que se possa dar uma boa probabilidade de que os objetivos pretendidos sejam atingidos.<br />
O pai dessas técnicas é R. A. Fisher. Esse, ao trabalhar na seleção genética de plantas agrícolas, desenvolveu imensa quantidade de resultados básicos sobre delineamento de experimentos e os divulgou, com grande sucesso, em dois livros históricos: <em>Statistical Methods for Research Workers</em>, 1925, e <em>The Design of Experiments</em>, publicado em 1935.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>A correlação entre variáveis </strong></span></p>
<p>é o que, em Estatística, corresponde - não perfeitamente, desde já alertamos - à idéia de causação. Suponhamos que um cientista faça, simultâneamente, a medida de duas ou mais variáveis: uma poderia ser a altura e a outra o peso de pessoas de uma população. Se ocorrer que elas tendam a crescer ou decrescer simultaneamente, dizemos que elas sao <strong>positivamente correlacionadas</strong>; se, por outro lado, a tendência é uma delas crescer e a outra decrescer, dizemos que elas são <strong>negativamente correlacionadas</strong>. No instante que o estatístico ou cientista possa afirmar que duas ou mais variáveis são correlacionadas, ele pode usar uma série de técnicas ( chamadas <strong>análise de regressão</strong> ) para achar fórmulas expressando os valores de uma dessas variáveis em termos da outra, ou das outras. Tudo dentro de uma margem de erro que ele poderá estimar probabilisticamente.</p>
<p>O pai da idéia de correlação foi o inglês Francis Galton o qual, no final do século passado a usou numa série de estudos de hereditariedade motivados pela Teoria da Evolução de Darwin e com objetivos decididamente eugênicos.<br />
A base matemática do trabalho de Galton era precária. Coube a Karl Pearson dar uma fundamentação mais matemática para a correlação e introduzir técnicas hoje básicas: coeficiente de correlação, medida da qualidade da regressão via a distribuição probabilista chi-quadrado, etc.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff"><span style="color: #ff0000"><strong>3.- PROBABILIDADES na ENGENHARIA</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #ff0000"><strong>Controle de qualidade da produção industrial</strong></span></p>
<p>A primeira pessoa a estudar matemáticamente o controle da qualidade foi W. Gosset ( mais conhecido por seu pseudônimo, Student ) quando, no início do séc XX, trabalhava numa fábrica de cerveja. Sucederam-se algumas aplicações de âmbito fechado, restrita ao setor militar ( França: M. Dumas ) e às atividades internas da Western Electric Company.</p>
<p>Contudo, é só em torno de 1930 que surgem os primeiros tratados de cunho prático e destinado a engenheiros: o <em>The Economic Control of the Quality of Manufactured Products</em> ( de W. A. Shewart, da Bell Telephone Co., USA, 1929 ) e o <em>The Application of Statistical Methods in Industrial Standartization and Quality Control</em> ( de Egon. S. Pearson, Inglaterra, 1935). Por essa mesma época, surgem as primeiras comissões tratando da uniformização das normas do controle estatístico da qualidade: o Joint Committe for the Development of Statistical Applications in Engineering and Manufacturing, americano, e a Section of Industrial and Agriculture Researches, na Royal Statistical Society of London.</p>
<p>Apesar desses pioneiros, a real difusão dos métodos estatísticos na engenharia só iniciou durante a Segunda Guerra. Entre 1941 e 1942 os americanos e os inglêses desenvolveram um grande programa, procurando disseminar a prática do controle de qualidade estatístico na produção militar. Vários manuais foram escritos e divulgados amplamente. Especialmente decisiva foi a adoção desses manuais pelas universidades americanas que faziam parte do <strong>Engineering and Science War Training Program</strong>. Terminada a guerra, rapidamente tornou-se norma a inclusão de cursos de Probabilidades e Estatística em todos os cursos de engenharia americanos, inglêses e, logo, de outros países.</p>
<table border="0" cellpadding="15" width="80%" bgcolor="#ffffe0">
<tbody>
<tr>
<td><strong>EXEMPLO:</strong><br />
Uma fábrica estuda um novo processo de manufatura para a produção de tampões para pias e banheiras. Os tampões com mais de 2.5 cm deverão ser descartados. Numa amostra de 20 tampões determinou-se um diâmetro médio 2.49 cm e desvio padrão de 0.01 cm. Supondo que os diâmetros tenham uma distribuição de probabilidades gaussiana, que percentual da produção desse processo deverá ser descartada ?</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">
<span style="color: #ff0000"><strong>Aplicações mais recentes das probabilidades na Engenharia </strong></span></p>
<p>são cada vez mais variadas e importantes, citaremos rapidamente apenas três:</p>
<ul>
<li><strong>Teoria das Filas</strong>:<br />
Busca calcular a quantidade de recursos e a maneira de disponibilizá-los para que uma fila de solicitação de serviços seja atendida, com investimento mínimo de recursos e tempo mínimo de espera por parte dos clientes da fila. Exemplos de problemas de filas sendo: determinar o número de caixas num super-mercado, determinar o número de pistas num aeroporto, determinar a quantidade de equipamento telefônico necessário para atender uma área geográfica, determinar a quantidade de mecânicos e boxes para atender os serviços de uma grande concessionária de automóveis, tudo isso a partir de projeções probabilistas da demanda.<br />
A origem da Teoria das Filas ocorreu em Telefonia.</li>
<li><strong>Teoria da Informação</strong><br />
Partindo de considerações probabilistas, essa teoria desenvolveu uma medida da quantidade de informação em mensagens. Usando essa medida, a teoria estuda maneiras de codificar, transmitir e decodificar as mensagens que são transmitidas pelos sistemas de comunicação: TV, radio, telefonia, satélites, etc. Os principais obstáculos a vencer são a existência de ruídos aleatórios, produzidos pelas componentes dos sistemas de comunicação e por interferências, e a existência de uma capacidade limite de todo canal de comunicação. As bases dessa teoria foram estabelecidas por Claude Shannon c. 1950.</li>
<li><strong>Teoria do Risco</strong><br />
Trata de problemas envolvendo decisões alternativas e cujas consequências só podem ser avaliadas probabilísticamente. Uma situação importante sendo o estudo das panes em sistemas de engenharia complexos, como redes de distribuição de energia elétrica, redes telefônicas, redes de computadores, etc. Tipicamente, deseja-se maximizar a duração do funcionamento normal do sistema a um custo mínimo de investimento em equipamento.</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left"> </p>
<blockquote><p><span style="font-family: arial"></p>
<p></span></p></blockquote>
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</p>
	<br /><br />
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		</item>
		<item>
		<title>Início da matematização das probabilidades</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 05:42:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[


Início da matematização das probabilidades



 
 



Até recentemente, era comum creditar-se a decisão de qualquer evento aos deuses ou alguma outra causa sobrenatural. Simplesmente não havia espaço para uma abordagem que atribuisse ao acaso, e tão somente a ele, essas ocorrências.
Isso foi muito bem resumido por M. G. Kendall, quando disse:
&#8220;A Humanidade precisou de centenas de anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellpadding="5" width="90%" bgcolor="#ffff80">
<tbody>
<tr>
<td><span style="font-size: small;color: #ff0000"><strong>Início da matematização das probabilidades</strong></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd">Até recentemente, era comum creditar-se a decisão de qualquer evento aos deuses ou alguma outra causa sobrenatural. Simplesmente não havia espaço para uma abordagem que atribuisse ao acaso, e tão somente a ele, essas ocorrências.<br />
Isso foi muito bem resumido por M. G. Kendall, quando disse:</p>
<p>&#8220;A Humanidade precisou de centenas de anos para se acostumar com um mundo onde alguns eventos não tinham causa&#8230; ou eram determinados por causas tão remotas que somente podiam ser razoavelmente representados por modelos não-casuais.&#8221;</p>
<p>Tendo isso em vista, fica mais fácil percebermos porque a abordagem matemática do acaso, do azar e do risco só iniciou há pouco mais de 500 anos. A disciplina que assim foi construída, a Teoria das Probabilidades, nasceu , mais precisamente falando, das tentativas de quantificação dos <strong>riscos dos seguros</strong> e de avaliar as <strong>chances de se ganhar em jogos de azar</strong>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> <br />
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<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">
<p align="center"><span style="color: #ff0000"><strong>1.- OS SEGUROS</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Surgimento dos seguros</strong></span></p>
<p>Ocorreu há mais de 5 000 anos entre os comerciantes marítimos mesopotâmicos e fenícios, aplicados à perda de carga de navios ( naufrágio ou roubo ). A prática foi continuada pelos gregos e romanos e acabou chegando no Mundo Cristão Medieval através dos comerciantes marítimos italianos. Muito pouco chegou até nós acerca das técnicas empregadas pelos seguradores daqueles tempos, mas é garantido afirmar que baseavam-se em estimavas empíricas das probabilidades de acidentes para estipularem as taxas e prêmios correspondentes.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>O início da matematização dos seguros </strong></span></p>
<p>Com o término da Idade Média, o crescimento dos centros urbanos levou à popularização de um novo tipo de seguro: o seguro de vida. É em torno desses que surgirão os primeiros estudos matemáticos sobre seguros, nos 1 500 &#8216; s. Nao deixa de ser curioso observar que, nessa época, houve um enorme aumento nos negócios de seguros marítimos ( associados aos preciosos carregamentos trazidos das Américas e das Indias ) mas os seguradores continuaram a usar as milenares técnicas empíricas.</p>
<p>A mais antiga tentativa de um estudo matemático dos seguros de vida é devida a <strong>Cardano</strong>, em 1 570 ( em seu <em>De proportionibus Libri V</em> ) . Seu trabalho, contudo, teve mínima repercussão, provavelmente por ter pouca praticidade.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>o amadurecimento da matemática dos seguros </strong></span></p>
<p>O primeiro trabalho prático na área dos seguros de vida é devido a Halley ( o mesmo do cometa ) em 1693 ( <em>Degrees of Mortality of Mankind</em> ). Nesse trabalho, Halley mostrou como calcular o valor da anuidade do seguro em termos da expectativa de vida da pessoa e da <strong>probabilidade</strong> de que ela sobreviva por um ou mais anos.</p>
<p>Com <strong>Daniel Bernoulli</strong>, c. 1 730, a matemática dos seguros atinge um estado bastante maduro. Ele retoma o clássico problema de, a partir de um número dado de recem nascidos, calcular o número esperado de sobreviventes após n anos. Ele também dá os primeiros passos em direção a novos tipos de seguros calculando, por exemplo, a mortalidade causada pela varíola em pessoas de idade dada. Ao mesmo tempo, começaram a aparecer as primeiras grandes companhias de seguros as quais tiveram, assim, condições de se estabelecer com um embasamento científico.</p>
<p>De lá para cá, os negócios de seguros ampliaram-se e sofistificaram-se cada vez mais a ponto de, em alguns países europeus, tornarem-se um mercado de trabalho que absorve quase um quarto dos egressos de cursos de Matemática.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">
<p align="center"><span style="color: #ff0000"><strong>2.- OS JOGOS DE AZAR</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Surgimento dos jogos de azar </strong></span></p>
<p>Os jogos de azar são, provavelmente, tão velhos quanto a Humanidade: temos provas arqueológicas da prática do jogo do osso há 40 000 anos. Ademais, jogava-se e joga-se praticamente pelo mundo inteiro, sendo raras as sociedades que não o faziam ( polinésios, siberianos, e algumas outras ).<br />
Historicamente, os jogos mais praticados foram o do osso ( conhecido pelo mundo inteiro ) e o de dados ( surgiu na India e Mesopotamia c. 3 000 AC, como evolução do jogo do osso, e daí se difundiu para o mundo grego, romano e cristão ).<br />
É também importante lembrar que antigamente jogava-se em apostas bem como para prever o futuro, decidir disputas, dividir heranças, etc.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>As mais antigas matematizações de jogos de azar </strong></span></p>
<p><strong>Resumem-se na mera enumeração das possibilidades de se obter um dado resultado no jogo, não havendo preocupação probabilista explícita.</strong><br />
Curiosamente, o mais antigo desses registros ocorre num contexto nada profano: c. 950 dC um bispo belga, Wibold, inventou um jogo religioso que, a cada um dos 56 possíveis resultados do lance de 3 dados, atribuia uma penitência ou a prática de uma virtude correspondente.<br />
Em várias obras literárias medievais ( inclusive na Divina Comédia de Dante ) encontramos enumeração das possibilidades de se obter o resultado 2, 3,&#8230;,12 ao jogar dois dados, idem de se obter 3,4,&#8230;,18 ao jogar três dados, etc.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Os primeiros cálculos de probabilídades em jogos de azar </strong></span></p>
<p align="center">
<table border="0" cellpadding="15" width="70%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#00ccff"><strong>Os italianos quinhentistas foram os primeiros a fazerem cálculos probabilísticos. Precisando comparar frequências de ocorrências e estimar ganhos em jogos de azar, eles foram além da mera enumeração de possibilidades. Contudo, limitaram-se a resolver problemas concretos,<em> ainda não havia produção de teoremas</em>.</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Pacioli c. 1 500 </strong><br />
em sua famosa Summa, estudou um problema que se tornou famoso como Problema dos Pontos:</p>
<blockquote><p><em>Dois jogadores disputavam um prêmio que seria dado a quem primeiro fizesse 6 pontos no jogo da balla. Quando o primeiro jogador tinha 5 pontos e o segundo tinha 3 pontos, foi preciso interromper o jogo. Como dividir o prêmio ? </em></p></blockquote>
<p>Sua solução, corretamente, faz uma divisão proporcional à probabilidade de vitória de cada jogador. Assim foi introduzida, de modo bastante intuitivo, a noção de <strong>esperança matemática</strong>, ou seja o produto do ganho eventual pela probabilidade desse ganho.</p>
<p><strong>Cardano 1 526 </strong><br />
escreveu um pequeno Manual de Jogos de Azar ( <em>Liber de Ludo Aleae</em> ) onde resolveu vários problemas de enumeração e retomou os problemas abordados por Pacioli.</p>
<p align="center">
<table border="0" cellpadding="15" width="70%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#00ccff">
<strong>Não seria exagerado dizermos que Cardano é o iniciador do estudo MATEMATICO das probabilidades. Com efeito, Cardano foi o primeiro a introduzir técnicas de Combinatória para calcular a quantidade de possibilidades favoráveis num evento aleatório e, assim, poder calcular a probabilidade de ocorrência do evento como a razão entre a quantidade de possibilidades favoráveis e a quantidade total de possibilidades associadas ao evento.<em> Limitou-se, contudo, a resolver problemas concretos ( ou seja: problemas com dados estritamente numéricos ). Ademais, não produziu teoremas.</em></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Tartaglia 1 556 </strong><br />
Resume-se a dedicar algumas páginas de seu livro <em>General Trattato</em> aos problemas de Pacioli.</p>
<p><strong>Galileo c. 1 590 </strong><br />
é autor de outro manual sobre jogos, o Considerações sobre o Jogo de Dados. Nos parece ter sido aí a primeira vez que se faz uma comparação explícita de frequências de ocorrência. Nesse livrinho, entre outras coisas, Galileo explica a um amigo porque , embora sejam 6 as somas que permitem fazermos 9 pontos ao jogarmos 3 dados e tambem 6 as que fazem 10 pontos, a experiência mostra que o 10 é mais comum de ocorrer do que o 9.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>O amadurecimento das técnicas combinatórias em probabilidades</strong></span></p>
<p>Até então as técnicas de enumeração das possibilidades favoráveis num evento aleatório eram simplórias e restritas a casos numéricos. Para que se pudesse tratar de problemas envolvendo muitas possibilidades ou <strong>eventos de natureza genérica</strong>, precisava-se técnicas mais apuradas do que as que empregaram Cardano e Tartaglia. A principal deficiência técnica desses italianos era a precariedade de sua notação, a qual não tinha como tratar de casos genéricos. Essa capacidade só foi atingida com o Cálculo Literal ( Logística Speciosa ) de François Viète c. 1 600 e com a álgebra desenvolvida por Descartes em sua La Géometrie c. 1630. Consequentemente, não deve vir como surpresa que é só na metade do século dos 1600&#8217;s que aparecem as condições para a abordagem de problemas gerais de probabilidades. Isso coube a dois outros franceses: Fermat e Pascal.</p>
<p>Em 1 654, um famoso jogador profissional, Antoine Gombauld, pomposamente autodenomidado <strong>o Cavaleiro de Méré</strong>, escreveu uma carta ao famoso matemático francês Blaise Pascal, propondo-lhe resolver alguns problemas matemáticos que tinha encontrado em suas lides com jogos de azar.</p>
<p>Entre os problemas propostos por de Méré estava o seguinte:</p>
<blockquote><p><em>Jogando com um par de dados honestos, quantos lances são necessários para que tenhamos uma chance favorável ( ou seja, de mais de 50% ) de obtermos um duplo-seis, ao menos uma vez? </em></p></blockquote>
<p>O interesse de de Méré no problema residia no fato de que sua &#8220;solução&#8221; para o mesmo não funcionava na prática, produzindo-lhe constantes prejuízos.<br />
Com efeito, ele não conseguia ver o que estava errado em seu raciocínio:</p>
<blockquote><p><em>&#8221; Quando jogamos <strong>apenas um dado</strong>, temos chance 1/6 de obter um seis, e como 3 x 1/6 = 50% e 4 x 1/6 = 67%, vemos que precisamos jogá-lo 4 vezes para ter chance maior do que 50% de obtermos, ao menos uma vez, um seis. Ora, quando jogamos <strong>um par de dados</strong> temos 36 possibilidades, ou seja 6 vezes mais possibilidades de quando jogamos um único dado, consequentemente, precisaremos jogar o par de dados 6 x 4 = 24 vezes para ter chance maior do que 50% de obtermos, ao menos uma vez, um duplo seis&#8221;. </em></p></blockquote>
<p>Pascal percebeu o erro de de Méré e se dispôs a achar a solução correta. Trocando idéias com o grande matemático Fermat, logo se convenceram que a resolução teria de passar pela enumeração combinatorial das possibilidades de ocorrência do duplo-seis. Procurando uma maneira inteligente de fazer essa trabalhosa enumeração, acabaram dando plena maturidade às técnicas introduzidas por Cardano e Tartaglia:</p>
<blockquote>
<ul>
<li><strong>Fermat</strong> redescobriu e aperfeiçou a técnica de Cardano, baseando o cálculo de probabilidades no cálculo combinatório, bem ao estilo que hoje empregamos rotineiramente.</li>
<li><strong>Pascal</strong> seguiu um caminho menos importante, redescobriu e aperfeiçou a técnica de Tartaglia que baseava-se no uso do que hoje, no Brasil e vários outros lugares, chama-se de triângulo aritmético de Pascal ( na Itália, o triângulo aritmético é chamado de triângulo de Tartaglia, mas a verdade é que o triângulo aritmético já era conhecido há séculos pelos indianos, chineses e pelos islamitas )</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Dessa maneira, conseguiram mostrar, cada um à sua maneira, que:</p>
<blockquote>
<ul>
<li>em 24 lances de um par de dados, a probabilidade de ocorrer, ao menos uma vez, um duplo-seis é de 49.1%<br />
( sendo então, ao contrário do que achava de Méré, &#8220;desfavorável&#8221; ao jogador )</li>
<li>em 25 lances de um par de dados, a probabilidade de ocorrer, ao menos uma vez, um duplo-seis é de 50.6%<br />
( sendo, agora, &#8220;favorável&#8221; ao jogador )</li>
</ul>
</blockquote>
<p align="center">
<table border="0" cellpadding="15" width="70%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#00ccff"><strong>Pascal e Fermat são os primeiros a resolverem problemas genéricos, não numéricos. Por exemplo, Pascal resolveu a seguinte versão genérica do Problema dos Pontos de Pacioli:<br />
&#8220;jogo terminaria quando um jogador fizesse m+n pontos, mas precisou ser interrompido quando um deles tinha m pontos e o outro tinha n pontos; como dividir os prêmios?&#8221;</p>
<p>Contudo, nem Pascal e nem Fermat chegaram a tratar de teoremas de probabilidades. </strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="color: #0000ff"><strong>EXERCICIO :</strong></span><br />
O astrágalo, o osso do &#8220;jogo do osso&#8221;, pode cair sobre quatro de suas faces. Antigamente, essas recebiam os valores 4 e 3 para as faces maiores, e 1 e 6 para as duas menores. Experimentos deram as seguintes probabilidades de ocorrência desses lados: P(4)=0.39, P(3)=0.37 e P(1)=P(6)=0.12 .<br />
Antigamente, um uso comum do jogo do osso era na previsão do futuro, para o que jogava-se cinco ossos de cada vez. Um exemplo sendo a seguinte adivinhação grega, chamada &#8220;o lance do Zeus salvador&#8221;:<br />
<em>Foram um 1, dois 3 e dois 4 &#8230; Os deuses te deram um augúrio favorável. Não tire-o da cabeça, pois nenhum mal cairá sobre ti</em>.<br />
Pede-se mostrar que a probabilidade de ocorrer esse augúrio favorável é:</p>
<p align="center">( 5! / 2! 2! ) (0.12) (0.37)<sup>2</sup>(0.39)<sup>2</sup> = 0.075</p>
<p><span style="color: #0000ff"><strong>EXERCICIO :</strong></span><br />
Relativamente ao <strong>&#8220;jogo religioso&#8221;</strong> do Bispo Wibold, mostre que ao jogarmos 3 dados são 56 os possíveis resultados. Faça isso:</p>
<ul>
<li>usando enumeração direta, como se fazia antes de Pascal e Fermat</li>
<li>usando o método de Fermat, mostrando que temos C(6,1) + 5 C(6,1) + C(6,3) resultados</li>
</ul>
<p><span style="color: #0000ff"><strong>EXERCICIO :</strong></span><br />
No que toca ao problema di duplo-seis proposto pelo jogador de Méré:</p>
<ul>
<li>Pede-se explicar o que está certo e o que está errado na &#8220;solução&#8221; que ele enviou a Pascal</li>
<li>Conforme já vimos, para resolver o problema de de Méré, Fermat e Pascal fizeram a <strong>enumeração combinatorial</strong> das possibilidades de ocorrência do duplo-seis. Esse é um caminho trabalhoso. Mostre, contudo, que é muito fácil resolver o problema se calcularmos a probabilidade de ocorrer o evento <strong>distinto </strong>do desejado por Mére.<br />
Resposta: o número correto de vezes que temos de lançar o par de dados é 25; com efeito: 1 - (35/36)<sup> 25</sup> = 51%, enquanto que em 24 lances, como queria fazer de Mére, temos: 1 - (35/36)<sup> 24</sup> = 49%.</li>
<li>A perplexidade de de Mére devia-se ao fato que não perdia em apostas de quatro lances de um um único dado, mas perdia nas de vinte e quatro lances de dois dados, e isso que <strong>o raciocínio que usou para analisar as apostas com dois dados foi semelhante a do caso de se jogar um único dado</strong>.<br />
Mostre que, mesmo no caso de apostas com um único dado, seu raciocínio está errado mas a verdadeira probabilidade de tirar ao menos um seis ao jogar quatro vezes o dado é maior do que 50%. Ou seja, neste caso, ele ganhava apesar de seu cálculo estar errado.</li>
</ul>
<p><span style="color: #0000ff"><strong>EXERCICIO :</strong></span><br />
Liste todos os livros sobre probabilidades, citados acima e que foram publicados antes de Fermat e Pascal.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">
<p align="center"><span style="color: #ff0000"><strong>3.- O AMADURECIMENTO DOS ESTUDOS DE PROBABILIDADES</strong> </span></p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>A Teoria Clássica das Probabilidades </strong></span></p>
<p>Procurando aprofundar a abordagem combinatória de Fermat, <strong>Jakob Bernoulli</strong> acabou iniciando o processo de abstração das probabilidades ( livrando-as das limitações dos seguros e jogos ) e foi além da mera resolução de problemas concretos,<strong> produzindo os primeiros teoremas sobre o assunto ( como a Lei dos Grandes Números ).</strong></p>
<p>Os resultados de Bernoulli foram publicados em seu livro <em>Ars Conjectandi</em> de 1 713, o qual foi seguido do <em>Doctrine of Chance</em> de de Moivre ( 1 716 ) e do <em>Laws of Chance</em> de Simpson ( 1 740 ). Finalmente, em 1 812, <strong>Laplace</strong> publicou seu tratado <em>Théorie Analytique des Probabilités</em> que foi o maior marco dessa etapa clássica da Teoria das Probabilidades.<br />
A partir daí, os estudos clássicos de probabilidades aceleraram-se e continuaram ao longo do século passado e início desse por grandes matemáticos, como Gauss, Poisson, Poincaré, Markov, Borel, etc.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>A Teoria Moderna das Probabilidades </strong></span></p>
<p>Em 1 933, Andrei Kolmogorov iniciou a etapa moderna da Teoria das Probabilidades ao apresentar uma axiomatização rigorosa e abstrata, baseada na Teoria dos Conjuntos e reduzindo a Teoria das Probabilidades à Teoria da Integração .</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="1" cellpadding="15" width="90%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffffff">
<p align="center"><span style="color: #ff0000"><strong>4.- PARA SABER MAIS SOBRE A HISTORIA DA PROBABILIDADES</strong></span></p>
<p> </p>
<ol>
<li><strong>I. Hacking</strong> - <em>The Emergence of Probability</em>. Cambridge U. Press, London, 1975.</li>
<li><strong>O. B. Sheyin</strong> - <em>On the prehistory of the Theory of Probabilities</em>, Archiv. Hist. Exact Sciences 12:2 ( 1974 ) 97-141</li>
<li><strong>F. N. David</strong> - Games, Gods and Gambling. Hafner Pub, NY, 1962</li>
</ol>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<p align="left"> </p>
<blockquote><p><a href="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/histo2.html#uno"><img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/volta.gif" border="0" alt="" /></a></p></blockquote>
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</p>
	<br /><br />
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		</item>
		<item>
		<title>Erathostenes e a medida da Terra, c. 250 AC</title>
		<link>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/erathostenes-e-a-medida-da-terra-c-250-ac/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 05:38:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

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		<description><![CDATA[



Erathostenes e a medida da Terra, c. 250 AC
As abordagens usuais desse tema, além de terem vários erros históricos e demonstrações de ignorância de princípios básicos de Geografia e Astronomia, pecam por apresentarem o tema como mero entretenimento, sem atinar que:


o problema da determinação do tamanho da Terra e de sua distância à Lua e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="1" cellpadding="5" width="95%" bgcolor="#000000">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ffff80">
<p align="center"><span style="font-size: xx-large;color: #000000">Erathostenes e a medida da Terra, c. 250 AC</span></p>
<p>As abordagens usuais desse tema, além de terem vários erros históricos e demonstrações de ignorância de princípios básicos de Geografia e Astronomia, pecam por apresentarem o tema como mero entretenimento, sem atinar que:</p>
<blockquote>
<ul>
<li>o problema da determinação do tamanho da Terra e de sua distância à Lua e ao Sol foi o primeiro a mostrar inequívocamente que a aplicação da Matemática ao mundo real passa pela disponibilidade de instrumentos precisos</li>
<li>o trabalho de Erathostenes foi um dos primeiros de uma série que durou mais de dois mil anos, sendo que a tarefa da medida da Terra chegou a ser, no século XVIII, o maior projeto científico que a Humanidade se envolvera até então</li>
<li>ao longo de boa parte desses dois mil anos, a motivação dos cientistas e matemáticos que trabalharam no problema era puramente intelectual: não tinham em vista nenhuma aplicação econômica ou militar</li>
<li>a técnica que usaram Erathostenes e outros gregos envolvia o cálculo de uma circunferência de círculo sem a utilização do respectivo raio ou diâmetro.</li>
</ul>
</blockquote>
<p>O leitor também precisa ser alertado que o livro onde Erathostenes descreve sua medida da Terra, o <em>Geographiká</em>, foi perdido (chegaram até nós apenas escassos fragmentos dos três volumes do mesmo ). Nossa fonte mais antiga e segura de informações sobre esse trabalho é o livro <em>De motu circulari</em> de Kleomedes, que viveu cerca de 200 anos depois. Assim, é fácil ver que existem vários pontos polêmicos na reconstrução da medida de Erathostenes, um dos quais é a crucial determinação do valor da unidade de comprimento ( o estádio ) por ele usada.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>A primeira idéia para medir a Terra: o método do meridiano</strong></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#feeeda">Logo que os gregos atinaram que a Terra tinha a forma esférica, puseram-se a imaginar artifícios para determinar o tamanho dessa esfera.<br />
Nesse sentido, a primeira idéia que surgiu foi a de <strong>reduzir o problema da determinação do tamanho da Terra a um problema de geometria plana</strong>. A estratégia mais simples de se obter tal redução era a de se fazer medidas em um mesmo <strong>meridiano</strong>, o que explicaremos em detalhe abaixo.</p>
<table border="0" cellpadding="7" width="80%" bgcolor="#ffffff">
<tbody>
<tr>
<td>
<ul>
<li><strong>O que é um meridiano? </strong><br />
Supondo a Terra seja uma esfera perfeita, os meridianos terrestres são os círculos centrados no centro da Terra e passando pelos dois pólos.<br />
O prolongamento desses círculos até a esfera celeste dá os chamados meridianos celestes.<br />
<img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/passa2d3.gif" alt="" align="right" /></p>
<p>O meridiano terrestre que passa por um dado local sobre a superfície da Terra, e o correspondente meridiano celeste, são chamados de meridianos do local.</li>
<li><strong>Utilidade do meridiano celeste de um dado local:</strong>
<ul>
<li>ele contém o zênite do local ( = ponto onde a vertical do local &#8220;fura&#8221; a esfera celeste )</li>
<li>em sua viagem diária pela esfera celeste, o Sol atinge sua posição mais alta ( = projeta sua menor sombra ) no tal local quando cruza o respectivo meridiano celeste.</li>
</ul>
</li>
<li><strong>Como podemos achar o meridiano de um dado local sobre a superfície da Terra?</strong><br />
Se cravarmos verticalmente uma vareta no chão, a direção da sombra mínima produzida por essa vareta ao longo de um dia é a direção do meridiano local.</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><font size="+2" color="#ff0000"><strong>Algumas peculiaridades gregas:</strong></font></span></p>
<p><span style="font-size: small"></p>
<p></span></p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%" bgcolor="#ddffdd">
<tbody>
<tr>
<td>
<ul>
<li>Os gregos expressavam <strong>o tamanho da Terra</strong> dando o valor da circunferência dos meridianos terrestres e não em termos do raio ou diâmetro da Terra. A razão era simples: podemos calcular a circunferência usando raciocínio de proporções (detalhes adiante ), enquanto que a determinação do raio ou diâmetro, a partir da circunferência, envolve o conhecimento do valor numérico de PI, com várias casas decimais.</li>
<li>É só com Hipparchos c. 200AC que os gregos adotam a tradição mesopotâmica de expressar <strong>a medida dos ângulos</strong> em termos de graus, minutos e segundos, como costumamos hoje fazer. Erathostenes, e os gregos mais antigos que ele, expressava a medida dos ângulos em termos de 1 / 60 do giro completo.<br />
Já <strong>as medidas de comprimento</strong> eram expressas em termos de estádios ( stadion, em grego ). Infelizmente, na época não havia grande preocupação com padronizações, de modo que o estádio variava de cidade para cidade. No que segue, usaremos o estádio usado por Erathostenes. Esse, segundo conta Plinius em sua Historia Natural, tomava o estádio como sendo 1 / 40 do schoinos egípcio, e como sabemos que um schoinos dava 12 000 covados reais egípcios e que nos atuais museus podemos ver que esse covado equivale a 0.525 metros, segue que <em><strong>o estádio de Erathostenes valia 157.5 metros</strong></em>. Nem todos especialistas aceitam esse valor.</li>
<li>se os gregos tivessem nossa capacidade de medida atual, eles dariam o valor da circunferência dos meridianos terrestres como sendo C = 253 600 estádios</li>
<li>Os gregos usualmente mediam ângulos através do comprimento da sombra produzida por uma vareta ( chamada <strong>gnomon</strong>, ou indicador ) cravada verticalmente no chão. Como isso dava resultados pouco exatos, o matemático Aristarchos c. 280 AC inventou um outro instrumento, chamado <strong>skaphe</strong>, que mais tarde foi usado por seu aluno Erathostenes, confrome descreveremos abaixo.<br />
Já a medida da distância entre cidades ( a rigor, do comprimento do arco de círculo unindo as duas cidades ) usualmente era feita grosseiramente, a partir do tempo que gastava uma caravana de comerciantes para ir de uma à outra cidade. Contudo, Erathostenes pode usar medidas mais exatas: as obtidas pelos bematistai, que eram funcionários públicos criados por Alexandre Magno e cuja função era medir em passadas a distância entre as principais cidades do mundo grego.</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>A primeira implementação do método do meridiano</strong></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3">Baseava-se na determinação do ângulo que representa a diferença entre as alturas de <strong>uma mesma estrela</strong> em duas cidades num <strong>mesmo meridiano</strong>. Como V. deve imaginar, <strong>a altura de uma estrela</strong> relativamente a um ponto P sobre a superfície terrestre é a medida do ângulo que faz o &#8220;raio visual de P à estrela&#8221; com o plano do horizonte em P.<br />
Deixaremos para os exercícios o exame dos detalhes desta implementação. Aqui, só observaremos que os resultado mais antigos que conhecemos do uso desta técnica são relatados por Aristóteles c. 350AC, o qual dava, sem citar o autor da medida: <em>C = 40 000 estádios</em>. Cerca de cem anos mais tarde, Archimedes, em seu famoso livro <em>Arenario</em>, menciona um valor muito mais exato: <em>C = 300 000 stadia</em>.<br />
A diferença entre esses resultados é imensa e serve como condenação da praticidade dessa técnica. Além da precariedade instrumental dos gregos, tinha-se de acrescentar vários fenômenos físicos ( como a refração atmosférica ) prejudicando a determinação da altura das estrelas.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>A segunda implementação do método do meridiano: Erathostenes c. 250 AC</strong></span> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd">Erathostenes descobriu um modo alternativo de achar um ângulo na esfera terrestre, envolvendo medidas outras que alturas de estrelas.<br />
<img src="http://rezende.blogcatolico.com.br/wp-admin/eratho1.jpg" alt="" align="right" /> Sua idéia fundamentava-se em aproveitar que num certo dia do ano ( precisamente: ao meio-dia do solstício de verão ) as colunas e obeliscos na cidade egípcia de Aswan ( na época, chamada Syena ) não faziam sombra, o que era ainda mais notado pelo fato de que os poços da cidade espelhavam o Sol nesta hora e dia. Consequentemente, naquele instante, o raio da Terra que passava por Aswan tinha a direção dos raios luminosos do Sol ( muito aproximadamente paralelos dada a enorme distância entre a Terra e o Sol ). Daí, para achar a circunferência C do meridiano terrestre de Aswan, tudo o que lhe restava fazer era:</p>
<blockquote>
<ul>
<li>achar outra cidade no meridiano de Aswan<br />
( os mapas da época mostravam que uma tal cidade era Alexandria )</li>
<li>medir o ângulo <strong>S</strong> da sombra projetada por um obelisco ( ou coluna ) em Alexandria e ao meio-dia do solstício de verão</li>
<li>medir a distância entre Aswan e Alexandria</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Acompanhe o raciocínio na figura abaixo:<br />
o paralelismo dos raios solares dá <strong>S = A</strong> e também <strong>A = B </strong>, disso segue que <strong>B = S </strong></p>
<p align="center"> </p>
<p>Ora, usando uma skaphe, Erathostenes verificou que o ângulo S da sombra era 1/ 25 da skaphe. Essa skaphe tinha a forma de metade de uma esfera, de modo que concluiu facilmente que:</p>
<p align="center">S = 1 / 25 da skaphe = 1 / 50 do giro completo</p>
<p>consequentemente, o arco de meridiano entre Aswan e Alexandria ( ou seja: a distância entre essas cidades ) é 1 / 50 da circunferência do meridiano. Mas essa distância era sabida ser 5 000 estádios, de modo que</p>
<p align="center"><strong>a circunferência do meridiano terrestre vale C = 50 x 5 000 = 250 000 estádios</strong>.</p>
<p>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Erros e simplificações de Erathostenes</strong></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3">
<ul> </p>
<li><strong>Erros de Erathostenes:</strong><br />
<blockquote>
<ol>
<li>a distância entre Alexandria e Aswan é de 4 628 estádios e não 5 000 estádios</li>
<li>se olharmos qualquer mapa moderno, veremos que flagrantemente essas duas cidades NAO estão num mesmo meridiano; elas diferem em mais de 3 graus de longitude</li>
<li>traduzindo em graus a medida de Erathostenes para o ângulo entre os raios por Alexandria e Aswan, obtemos:
<p align="center">S = 1 / 50 de 360 graus = 360 / 50 graus = 7 graus 12 min.</p>
<p>Contudo, medidas modernas dão o valor S = 7 graus e 5 min.</li>
</ol>
</blockquote>
<p> </li>
<li><strong>Simplificações de Erathostenes:</strong>
<p>Como também ainda hoje costumamos fazer, no lugar da circunferência do meridiano, Erathostenes preferia trabalhar com o comprimento de um grau de meridiano, ou seja: com a 360a parte do meridiano. Isso daria um grau = 250 000 / 360 = 694.4 estádios, mas ele - talvez plenamente ciente da imperfeição de suas medidas - preferiu usar o muito mais cómodo um grau = 700 estádios</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Algumas sugestões de atividades de aula, baseadas no método do meridiano</strong></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#ddffdd"><strong>Exercício:</strong><br />
Tamanho da Terra pela técnica da altura estelar.<br />
Consiste em seguir a receita abaixo, que pede-se mostrar que realmente dá o tamanho da Terra:</p>
<ul>
<li>acha-se duas cidades, A e B, que estejam num mesmo meridiano<br />
( EXEMPLO: os gregos sabiam que Alexandria e Aswan ( na época era chamada Syena ) estavam num mesmo meridiano )</li>
<li>mede-se a distância <em>s</em> entre A e B<br />
( a rigor, mede-se o comprimento do arco terrestre que vai de A para B )</li>
<li>escolhe-se uma estrela X, visível desde A e B, e mede-se a altura de X em A e a altura de X em B; a seguir, acha-se o ângulo Ø que representa, em graus, a diferença entre essas duas alturas</li>
<li>finalmente, usando a proporcionalidade entre comprimento de arco e medida do ângulo correspondente, temos que <em>C / s = 360 / Ø </em>e daí resta obter o valor da circunferência <em>C </em>da Terra.</li>
</ul>
<p><strong>Exercício ( de Dennis P. Donovan ):</strong><br />
Os alunos de duas escolas trocsm informações ( por exemplo, por e-mail ) e implementam a seguinte variante da técnica de Erathostenes:</p>
<ul>
<li>Os alunos de uma escola contactam uma outra escola que diste no mínimo algumas centenas de Km e que esteja no mesmo meridiano de sua cidade</li>
<li>os alunos de cada escola cravam verticalmente uma vareta no chão e, num mesmo instante de um dia ensolarado e combinado de antemão, medem o ângulo das respectivas sombras</li>
<li>usando essas medidas e mais a distância entre as escolas ( obtida, por exemplo, via mapa) eles calculam a circunferência do meridiano.</li>
<li>os alunos das duas escolas comparam seus resultados</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size: x-small;color: #ff0000"><strong>Rápida visão dos estudos modernos da forma e tamanho da Terra</strong></span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<table border="0" cellpadding="7" width="95%">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#c8e3e3">Em 1686, Newton mostrou matematicamente que a Terra não era uma esfera pois tinha um achatamento nos pólos. Isso teve grande resistência pela comunidade científica e resultou na criação de sucessivas comissões de cientistas franceses que tinham como finalidade medir mais cuidadosamente o meridiano e assim decidir a veracidade do resultado de Newton. Dessas comissões francesas, as mais famosas foram a que mediu o meridiano no Peru ( entre 1735 e 1745 ) e a que o mediu na Lapônia: ambas confirmaram Newton. Uma consequência importante desse trabalho foi a introdução do <strong>metro</strong> em 1791, definido como a 10 000 000 parte do quadrante do meridiano de Paris. Cientistas e matemáticos de outros países continuaram a desenvolver técnicas com vistas a medidas cada vez mais precisas do meridiano, um trabalho que continuou pelo século passado e atual e envolveu matemáticos de renome como Legendre, Laplace, Gauss, etc.<br />
Podemos resumir esse gigantesco esforço da Humanidade dizendo que hoje sabemos que a Terra não é uma esfera perfeita, tendo um achatamento nos pólos. Esse achatamento é pequeno, correspondendo a um desvio de 0.3% da forma esférica. Com efeito, temos:</p>
<ul>
<li>circunferência polar = circunferência do meridiano = 39 942 Km<br />
diâmetro polar = 12 714 Km</li>
<li>circunferência equatorial = 40 074 Km<br />
diâmetro equatorial = 12 756 Km</li>
</ul>
<p>Em trabalhos científicos mais precisos, bem como em algumas aplicações como lançamento de mísseis intercontinentais e satélites, toma-se como modelo da figura Terra um <strong>esferóide ( = elipsóide de revolução ) achatado </strong>cujos parâmetros ( valor dos semi-eixos, etc ) são periodicamente melhorados pela International Union of Geodesy and Geophysics.<br />
Em trabalhos ainda mais delicados, e que tem de levar em conta a influência da gravidade terrestre e lunar ( efeito no nível dos oceanos! ), usa-se um modelo ainda mais sofistificado: <strong>o geóide</strong>.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%--></p>
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</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Números Complexos IV</title>
		<link>http://rezende.blogcatolico.com.br/2008/09/28/numeros-complexos-iv/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 05:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rezende</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A História da Matemática]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rezende.blogcatolico.com.br/?p=128</guid>
		<description><![CDATA[Números Complexos, uma abordagem histórica
 
A questão central desta página é &#8220;Como surgiram os Números Complexos?&#8221;.
A maioria das pessoas, quando confrontadas com esta questão responde que surgiram para resolver as equações de 2º grau da forma  x2 + a = 0, a &#62; 0. No entanto, esta ideia está errada!
A abordagem aprofundada aos números complexos, apesar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><span style="font-size: large;color: #000080;font-family: Lucida Calligraphy">Números Complexos, uma abordagem histórica</span></strong></p>
<p align="center"> </p>
<p><span style="color: #000080">A questão central desta página é <em>&#8220;Como surgiram os Números Complexos?&#8221;</em>.</span></p>
<p><span style="color: #000080">A maioria das pessoas, quando confrontadas com esta questão responde que surgiram para resolver as equações de 2º grau da forma <span style="font-family: Times New Roman"><span> </span>x<sup>2</sup></span> + a = 0, a &gt; 0. No entanto, esta ideia está <strong>errada</strong>!</span></p>
<p><span style="color: #000080">A abordagem aprofundada aos números complexos, apesar de ter sido feita a partir do séc. XVIII, foi mencionada levemente por outros matemáticos anteriores à data. No entanto, dada a incompreensão e o desconhecimento destes números, tais matemáticos abandonaram o seu estudo.</span></p>
<p><span style="color: #000080">O primeiro matemático de que se tem conhecimento de se ter deparado com um problema que envolvia números complexos foi <a href="http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Heron.html" target="_blank">Héron de Alexandria</a> (séc. I dC) no livro <em>Stereometrica</em>. Este pretendia resolver </span></p>
<p align="center"><span style="color: #000080"><span> </span><span style="font-family: Symbol">Ö</span><span>(81-144) = </span><span> </span><span style="font-family: Symbol">Ö</span><span>(-63)</span></span></p>
<p align="left"><span><span style="color: #000080">mas como não havia o domínio actual sobre estes números, abandonou o seu cálculo.</span></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000080">Por volta do ano 275 dC, <a href="http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Diophantus.html" target="_blank">Diophanto</a> (200-284 aprox.) ao resolver um problema deparou-se com a equação</span></p>
<p align="center"><span style="color: #000080">24<span style="font-family: Times New Roman">x<sup>2 </sup></span>- 172x + 336 = 0</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000080">Como concluiu que não tinha soluções reais, não viu necessidade de dar sentido à raiz <span> </span><span style="font-family: Symbol">Ö</span><span>-167.</span></span></p>
<p align="left"><span><span style="color: #000080">Na Índia, por volta do ano 850, <a href="http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Mahavira.html" target="_blank">Mahavira</a> (800-870 aprox.) escrevia: <cite>&#8220;(&#8230;) como na natureza das coisas um negativo não é um quadrado, ele não tem, portanto, raia quadrada.&#8221;</cite> (citado em </span></span><span style="color: #000080"><a href="http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2000/icm26/euler.htm" target="_blank">www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2000/icm26</a></span><span><span style="color: #000080">). Ou seja, negou à partida, a existência de números negativos cuja raiz quadrada devolve um outro número.</span></span></p>
<p><span style="color: #000080"><a href="http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Bhaskara_II.html" target="_blank">Bhaskara</a> (1114-1185 aprox.), um dos indianos que mais perto chegou das ideias da álgebra moderna (conhecia a regra &#8220;menos por menos dá mais&#8221;, trabalhava com coeficientes negativos, etc.) reconhecia que a equação <span style="font-family: Times New Roman"><span> </span>x<sup>2 </sup></span>- 45x = 250 era satisfeita por dois valores x = 5 e x = -5 mas, dizia que não considerava a segunda pois as pessoas não &#8220;apreciavam&#8221; raízes negativas.</span></p>
<p><span style="color: #000080"><a href="http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Cardan.html" target="_blank">Gerônimo Cardano</a> (1501-1576) considerava que o aparecimento de raízes quadradas de números negativos na resolução de um problema indicava que o mesmo não tinha s