O desenvolvimento das aplicações das probabilidades
A História da Matemática setembro 28th, 2008| O desenvolvimento das aplicações das probabilidades |
No período que vai dos primeiros estudos matemáticos de probabilidades até a metade do século passado, surgiram varias aplicações da Teoria das Probabilidades, aplicações que chamamos de clássicas:
Contudo, o que queremos aqui abordar é o surgimento das modernas aplicações da Teoria das Probabilidades, pois são essas que vão demonstrar a enorme importância teórica e prática das idéias probabilistas e estender seu uso a uma enorme gama de profissionais e até mesmo a muitas atividades do cotidiano do viver moderno. Dentre essas modernas aplicações, nos concentraremos em:
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| 1.- PROBABILIDADES NA FISICA
Teoria dos Erros Experimentais A partir do sec XVIII, o desenvolvimento e barateamento dos instrumentos de medida em muito multiplicou as observações quantitativas em laboratório e em campo. Logo os físicos deixaram-se de se contentar em ter conseguido medir, eles passaram a buscar a melhor medida possível. Em termos mais precisos, queriam a resposta do Problema Fundamental da Teoria dos Erros:
Esse problema foi exaustivamente estudado por Legendre, Laplace e Gauss, no final do sec XVIII e início de sec XX. O resultado mais fundamental foi estabelecido por Gauss, ao provar que se os erros das medidas tem uma distribuição gaussiana ( ou da curva normal ) então o valor mais provável de x é a média das medidas x k. Probabilidades na Física Estatística Até a metade do sec XIX, os físicos viam a Teoria dos Erros como a única utilidade das probabilidades. Para isso era usado o seguinte argumento: é perfeitamente concebível que usemos probabilidades e estatística no estudo de fenômenos biológicos e sociais, afinal as pessoas de uma população tem altura, peso, inteligência diferentes; contudo, não há possibilidade de esse tipo de variações no mundo físico: as propriedades de duas gotas de água ou dois litros de ar são absolutamente as mesmas. Foi preciso um gênio do calibre de Maxwell para derrubar esse preconceito. p=p(v)=a v 2 e - b v 2 As idéias de Maxwell foram tornadas ao mesmo tempo práticas e mais gerais ( pois que aplicáveis a fenômenos físicos outros que os de calor ) com Josiah Wilard Gibbs, com seu Principles of Statistical Mechanics, 1902, uma das obras mais importantes já escritas em toda a história da Humanidade e que verdadeiramente deu maturidade à abordagem probabilística dos fenômenos físicos. Probabilidades na Física Quântica O formalismo da Mecânica Estatística mostrou o quão útil podia ser a Teoria das Probabilidades para estender o poder da Ciência clássica e equipá-la com instrumentos capazes de uma análise muito mais ampla do comportamento da matéria e da energia: o estudo das reações químicas, dos processos termodinâmicos, da radiação eletromagnética, etc. Contudo, no final do século XIX, começaram a surgir inconsistências nesta vasta paisagem. Por exemplo, o equilíbrio das radiações não podia conviver logicamente com a idéia natural de distribuição contínua dos níveis energéticos. Logo se viu que a evidência experimental levava à uma estrutura discreta dos níveis energéticos. A descoberta do elétron e a concepção atômica de Rutherford apontavam grandes discrepâncias entre a teoria clássica do eletromagnetismo e o calor específico dos metais. A teoria ondulatória da luz tinha sido adotada para se poder explicar os fenómenos de interferência luminosa, mas o efeito fotoelétrico parecia preferir uma interpretação corpuscular. Pior do que isso, para esses mesmos elétrons observou-se fenômenos de interferência, o que sugeria que eles também podiam comportar-se como ondas. A resolução dessas dificuldades foi iniciada com Max Planck, no início do século XX, e acabou produzindo outra das maiores obras da Humanidade: a Mecânica Quântica. Essa nova disciplina, ao explicar os fenômenos de radiação em termos de probabilidades, destruiu o ponto de vista clássico que pregava que todos os fenômenos eram deterministas. Sob um ponto de vista mais prático, permitiu uma muito fértil aproximação entre o ponto de vista dos físicos e o dos químicos no estudo da matéria, disso resultando uma enorme massa de resultados fundamenatis tanto nso estudos teóricos ( como uma adequada descrição molecular da química, e a interpretação e previsão de fenómenos de radiação em uma enorme faixa de energias ) como na criação de importantes tecnologias ( como a eletrónica e a engenharia nuclear ). O objetivo inicial da Mecânica Quântica era explicar as interações entre matéria e energia mas acabou tendo o papel de retificar e completar a Física e Química clássicas. No que toca aos fenômenos macroscópicos, passou-se a pensar em termos de efeitos macroscópicos consequência do comportamento de uma enorme quantidade de micro-sistemas cujas leis são probabilistas. Esses micro-sistemas não são totalmente independentes ( por exemplo, os átomos de um sólido obedecem relações espaciais ), mas não podem ser individualizados e os cálculos probabilistícos envolvidos precisam levar isso em conta. Assim que foi necessário um ponto de vista revolucionário para descrever o comportamento dos micro-sistemas: as grandezas observáveis tem natureza verdadeiramente probabilista. |
| 2.- PROBABILIDADES NA ESTATISTICA
A História registra censos, para fins de alistamento militar e de coleta de impostos, realizados há mais de 4 000 anos, como é o caso do censo do imperador Yao na China, em 2 200AC. Em todo esse tempo, por estatística entendia-se meramente o trabalho de exibição e síntese dos dados referentes colhidos pelo censo. Mais importante do que observar que estava restrita aos censos é notar que era uma mera Estatística Descritiva, a qual não envolvia nenhum trabalho probabilístico, pois todos os objetos do universo envolvido ( a população ) eram observados ou medidos. A primeira pessoa a atinar em medir/observar apenas uma pequena amostra do universo envolvido e, a partir de análise probabilista, estender os resultados da amostra para o todo do universo ou população foi Adolphe Quételet, c. 1850. A inferência estatística estuda técnicas que permitem quantificar probabilisticamente as incertezas envolvidas ao induzirmos para um universo observações feitas numa amostra do mesmo. Por exemplo: O delineamento dos experimentos científicos trata das precauções que o cientista deve tomar, antes de iniciar suas observações ou medidas, de modo que se possa dar uma boa probabilidade de que os objetivos pretendidos sejam atingidos. A correlação entre variáveis é o que, em Estatística, corresponde - não perfeitamente, desde já alertamos - à idéia de causação. Suponhamos que um cientista faça, simultâneamente, a medida de duas ou mais variáveis: uma poderia ser a altura e a outra o peso de pessoas de uma população. Se ocorrer que elas tendam a crescer ou decrescer simultaneamente, dizemos que elas sao positivamente correlacionadas; se, por outro lado, a tendência é uma delas crescer e a outra decrescer, dizemos que elas são negativamente correlacionadas. No instante que o estatístico ou cientista possa afirmar que duas ou mais variáveis são correlacionadas, ele pode usar uma série de técnicas ( chamadas análise de regressão ) para achar fórmulas expressando os valores de uma dessas variáveis em termos da outra, ou das outras. Tudo dentro de uma margem de erro que ele poderá estimar probabilisticamente. O pai da idéia de correlação foi o inglês Francis Galton o qual, no final do século passado a usou numa série de estudos de hereditariedade motivados pela Teoria da Evolução de Darwin e com objetivos decididamente eugênicos. |
| 3.- PROBABILIDADES na ENGENHARIA
Controle de qualidade da produção industrial A primeira pessoa a estudar matemáticamente o controle da qualidade foi W. Gosset ( mais conhecido por seu pseudônimo, Student ) quando, no início do séc XX, trabalhava numa fábrica de cerveja. Sucederam-se algumas aplicações de âmbito fechado, restrita ao setor militar ( França: M. Dumas ) e às atividades internas da Western Electric Company. Contudo, é só em torno de 1930 que surgem os primeiros tratados de cunho prático e destinado a engenheiros: o The Economic Control of the Quality of Manufactured Products ( de W. A. Shewart, da Bell Telephone Co., USA, 1929 ) e o The Application of Statistical Methods in Industrial Standartization and Quality Control ( de Egon. S. Pearson, Inglaterra, 1935). Por essa mesma época, surgem as primeiras comissões tratando da uniformização das normas do controle estatístico da qualidade: o Joint Committe for the Development of Statistical Applications in Engineering and Manufacturing, americano, e a Section of Industrial and Agriculture Researches, na Royal Statistical Society of London. Apesar desses pioneiros, a real difusão dos métodos estatísticos na engenharia só iniciou durante a Segunda Guerra. Entre 1941 e 1942 os americanos e os inglêses desenvolveram um grande programa, procurando disseminar a prática do controle de qualidade estatístico na produção militar. Vários manuais foram escritos e divulgados amplamente. Especialmente decisiva foi a adoção desses manuais pelas universidades americanas que faziam parte do Engineering and Science War Training Program. Terminada a guerra, rapidamente tornou-se norma a inclusão de cursos de Probabilidades e Estatística em todos os cursos de engenharia americanos, inglêses e, logo, de outros países.
Aplicações mais recentes das probabilidades na Engenharia são cada vez mais variadas e importantes, citaremos rapidamente apenas três:
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